Preconceito Linguístico

Enviada em 24/02/2020

Em um país com elevada extensão territorial, como o Brasil, é comum que exista também uma extensão da língua falada, com variantes entre grupos e regiões distintas. Entretanto, essa riqueza cultural linguística presente na nação, é vista por muitas pessoas como modos errados de se falar, sendo apenas correta a norma culta. Esse é um dos respaldos utilizados para que essa parcela da população discrimine as demais; um prejulgamento já sinalizado no livro “Preconceito Linguístico”, de Marcos Bagno, que mostra que essas atitudes pejorativas agem também como exclusão social, que além de silenciarem as vítimas, colaboram para uma perda linguística no país.

É importante analisar as mudanças ocorridas ao longo do tempo na língua brasileira. No limiar do século XVI, os portugueses retiraram do Brasil não apenas riquezas materiais, mas, especialmente culturais e que permanecem ausentes no país até os dias atuais. Como os índios, que sofreram repressão dos colonos sobre suas línguas, a fim de garantirem a hegemonia da língua portuguesa. Como consequência deste processo, hoje, mais de 500 anos depois, o idioma oficial no Brasil ainda é o Português e as centenas de línguas indígenas existentes, são consideradas dialetos.

Além disso, na sociedade hodierna, existem repressões linguísticas inter-regionais no Brasil. Dessa forma, muitos falantes são vítimas de ataques ofensivos pela maneira com que se expressam, o que gera como consequência, constrangimento e silenciamento dos mesmos, que como disse Bagno em seu livro, não existem formas mais corretas do que outras de se falar e sim uma variação no modo de expressão, visto que a língua está sob constantes mudanças e influências externas. A exemplo disso, tem se o caso da Miss Brasil 2014, Melissa Gurgel, que relatou ao programa Hoje em Dia, da rede Record, ter sofrido preconceito nas redes sociais devido ao seu sotaque nordestino.

Logo, é imprescindível que medidas sejam realizadas a fim de combater o preconceito linguístico no Brasil. Como disse o filósofo Voltaire, preconceito é opinião sem conhecimento. Assim sendo, é necessário que o Ministério da Educação debata o assunto nas escolas, por meio da inclusão de matéria cultural na grade escolar, para que os professores enfatizem o tema em questão desde os períodos iniciais da educação, a fim de que os alunos sejam dotados de conhecimento ético e não cometam esse julgamento. Ademais, cabe também aos educadores, abordarem temas sobre os índios, bem como suas línguas presentes ainda hoje no país, com o objetivo de recuperar e manter a cultura desse povo tão importante na construção da identidade brasileira.