Preconceito Linguístico
Enviada em 24/02/2020
O modernismo brasileiro tinha como uma de suas principais características a valorização do falar regional, tal qual Oswald de Andrade exalta em seu poema “Pronomiais” as diferenças da linguagem. Em contrapartida ao exposto, ao analisar-se a questão da língua hodiernamente no país, nota-se que ela vem sendo usada como instrumento segregacionista. Nesse contexto, há alguns fatores que não podem ser negligenciados, tais como: a língua como mecanismo de poder e a construção limitada de língua e linguagem.
É indubitável que desde os primórdios do tempo a língua sempre foi a ferramenta principal de dominação sobre povos. No Brasil, isso não foi diferente, uma vez que colonizados, uma das primeiras medidas foi a inserção do português sobre a língua dos nativos. Infelizmente, no limiar do século XXI, essa prática ainda faz-se presente no cotidiano canarinho. Segundo Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito linguístico”, esse tipo de preconceito se da pela elitização da língua, no qual considera como “erro” tudo que foge à norma culta. Desse modo, é tácito que esse tipo de discriminação tem raízes culturais, socioeconômicas e regionais.
Outrossim, vale salientar a padronização do linguajar. No documentário “Língua: vidas em português”, o produtor Victor Lopes retrata a variação do falar em diversos países em que rege a língua, sendo notório a diversificação de nação para nação. Entretanto, parcelas da mídia, das escolar e da sociedade, tem se mostrado um agente opositor dessa variedade, haja vista que personagens com um determinada linguagem são inferiorizados; no âmbito escolar o bullying é recorrente e, a sociedade funciona como propagadores da situação. Dessa maneira, é claro como a limitação do linguajar e a padronização da norma culta como linguagem única, tem funcionado como apartheid contemporâneo.
Como dizia Ariano Suassuna, “Eu não troco meu “oxente” pelo “ok” de ninguém. Portanto, meios são necessários para cessar a problemática do preconceito linguístico. Destarte, o Ministério da Educação, implementar na grade curricular das escolar, a “Semana da fala”, em que busque por intermédio de especialistas no assunto, a realização de palestras para pais e alunos sobre o tema, a fim de provocar reflexões acerca da questão. Além disso, cabe ao Poder Legislativo, a implementação no código brasileiro de leis, a lei contra a discriminação linguística, com fito de proteger todos os falantes e variantes da língua.