Preconceito Linguístico
Enviada em 29/02/2020
Machado de Assis e Anitta. Camões e Gabriel O Pensador. Guimarães Rosa e Luan Santana. Essas são diferentes formas de linguagem que mostram exatamente o que a língua portuguesa representa: pluralidade. Contudo, mesmo com o conhecimento dessa variação, uma série de preconceitos está presente no cotidiano dos brasileiros. Afinal, não é atual o fato de que os dominadores querem estipular o que é certo ou errado, tendo como base a sua realidade e interpretação, e que, como manifestado por Paulo Freire, o desejo do oprimido é se tornar o opressor.
“Não troco meu ‘oxente’ pelo ‘ok’ de ninguém”. A partir dessas palavras, Ariano Suassuna demonstra a insatisfação de ter que abrir mão de sua língua. O que já ocorreu, pois o Brasil foi colonizado por um povo com idioma e cultura divergente da dos nativos e que foram, por conseguinte, impostas pelos colonizadores. Além disso, o território brasileiro tem proporções continentais, facilitando, destarte, a variedade de sotaques e gírias próprias de cada região. Por esse motivo, como exposto por Luis Gonzaga em sua música ABC do Sertão, as crianças nordestinas têm que aprender na escola um alfabeto diferente do de seu cotidiano, dificultando seu aprendizado. Assim, percebe-se, que mesmo 198 anos após a Independência do Brasil, a determinação de um comportamento sobre outro é encontrada, mesmo que dentro de uma mesma nação.
Ademais, muitas vezes, o preconceito linguístico é realizada sem que ninguém perceba. Isso fica evidente quando na desenho Turma da Mônica, de Maurício de Souza, o personagem Cebolinha sofre vários tipos de implicâncias de realizadas pelos colegas por trocar “r” por “l”. Porém, John Locke compara as crianças com folhas de papel em branco, ou seja, suas personalidades e opiniões serão construídas a partir do que forem expostas no dia a dia. Então, se assistirem a esse tipo de conteúdo na televisão e perceberem que os adultos estão achando graça, irão reproduzir o mesmo hábito, porque é em casa que ocorre a socialização primária, quando se aprende as normas e valores que terão por toda a vida. Desse modo, os anos vão passar, mas as práticas discriminatórias vão continuar a ocorrer.
Portanto, com o propósito de aplacar o preconceito linguístico, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, devem promover projetos para que, além de ser ensinado gramática normativa, se ensine também que há diferenças em cada região do país e quais são elas. Isso pode ser feito por meio de filmes, teatros e músicas que demonstrem a abundante variedade linguística do Brasil. E, a partir de rodas de conversa, procurar entender o que cada criança tem a dizer sobre o preconceito linguístico e sanar suas dúvidas. Dessa forma, a frase dita, anteriormente, por Paulo Freire será superada, visto que não haverá mais oprimidos, se tratando da intolerância quanto ao vocabulário.