Preconceito Linguístico
Enviada em 12/03/2020
A língua (assim como a arte, a música e a dança) é um tipo de linguagem, ou seja, um dos meios de se comunicar com alguém. Essa forma de expressão varia com o tempo e de acordo com o grupo regional ou meio social em que está inserida. Diante disso, observa-se o surgimento de preconceitos da parte de indivíduos que, erroneamente, acreditam que exista algum tipo de dialeto socialmente superior ao outro, quando na verdade o que se tem é uma gramática normativa, ou seja, um conjunto de regras que regem um dialeto adotado como padrão. Esses julgamentos geram efeitos negativos tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma intervenção, então, é necessária para sanar a problemática em questão.
Em primeiro lugar, são notórios os prejuízos que essas concepções equivocadas oferecem aos cidadãos. De acordo com o sociólogo Voltaire, o preconceito é opinião sem conhecimento. Esse pensamento comprova que atitudes intolerantes são consequências de uma formação moral distorcida, que não privilegia princípios, como o respeito às diferenças, como essenciais para uma convivência harmônica em uma sociedade heterogênea. Como resultado disso, observa-se que as pessoas que se comunicam com dialetos como o sertanejo e o mineiro, por exemplo, com sujeitos que utilizam outros dialetos podem sofrer discriminação e desenvolver, por isso, traumas psicológicos, depressão e timidez, e isso pode interferir no seu desenvolvimento, tanto no âmbito escolar, como no profissional.
Como consequência disso, destacam-se os reflexos dessas opiniões desfavoráveis para a sociedade. Indivíduos que fazem uso de dialetos com pouco prestígio social para se comunicar, não são valorizados, por exemplo, para a ocupação de cargos em empresas renomadas ou que ofereçam uma melhor remuneração e, principalmente, para ocupar funções que exijam um bom desempenho intelectual. Isso permite a manutenção da divisão de classes e a intensificação do quadro de desigualdade social no país, o que vai de encontro com um dos objetivos fundamentais da Constituição Federal do Brasil de 1988. Além disso, contribui-se assim para a formação de uma sociedade alienada e cada vez mais individualista, preconceituosa e, consequentemente, desarmônica.
Portanto, a fim de diminuir o principal fator causador desses efeitos – a falta de conhecimento sobre o assunto – cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, oferecer materiais didáticos – tais como livros, cartilhas, filmes e documentários – aos alunos, nas aulas de Língua Portuguesa, História, Sociologia e Redação, que explicitem a heterogeneidade desse tipo de linguagem no Brasil e que mostrem os efeitos negativos que o preconceito linguístico pode gerar. Tudo isso deve ser feito mediante o redirecionamento de verbas.