Preconceito Linguístico

Enviada em 28/03/2020

O preconceito linguístico está enraizado em questões culturais e sociais, muito presente no Brasil. Isso em decorrência da dimensão do país, sendo comumente usado para ridicularizar a forma como o outro fala. Mediante o exposto, o personagem do cartunista Maurício de Sousa, Chico Bento, reflete bem a realidade de muitos brasileiros que se comunicam com essas variações linguísticas causadas por fatores regionais e sociais. Com isso, os esteriótipos da língua padrão e a “não aceitação” por parte da população tornam o caso ainda mais desafiador.

Nesse viés, na Mitologia Grega, Procusto era um bandido gigante que amarrava suas vítimas em uma cama de ferro. E, se a pessoa fosse maior do que a cama, ele cortava o que sobrava, e se fosse menor esticava até ficar do tamanho real. A analogia do mito representa a adequação para com padrões, justamente o que acontece com a língua portuguesa no qual a norma-padrão é considerada a correta, e as outras inapropriadas. Em conclusão, esteriótipos são criados e ampliados pela mídia e por quem se considera superior ao outro, seja socialmente, seja economicamente.

Além disso, com o decorrer da colonização no Brasil, o encontro entre portugueses, africanos e indígenas deram origem a toda miscigenação brasileira com diferentes etnias, línguas e culturas no mesmo país. Em consequência do seu tamanho, tornando o preconceito mais presente e visível. Consequentemente, as diferenças linguísticas entre as regiões, muitas vezes, não são bem aceitas por parte da população que zomba, discrimina e segrega pessoas individualmente ou em grupos.

Portanto, de acordo com os fatos supracitados, é dever da família e da escola educar e orientar filhos/alunos sobre toda a formação histórica do Brasil, apresentando as diferentes variações linguísticas a fim de que os mesmos não façam distinção em nenhum aspecto. É válido salientar a função da imprensa de denunciar as formas de discriminação e combater a esteriotipação, decorrente em novelas retratando o nordestino como o que fala inadequado e o sulista fala adequado. Dessa maneira,  as pessoas representadas pelo personagem Chico Bento não se sentirão afetadas pelas variações linguísticas e perceberão que o Brasil é um país com muitas diferenças culturais, fato que não torna isso um ponto negativo para a sociedade.