Preconceito Linguístico
Enviada em 02/04/2020
O parnasianismo, escola literária do século XIX, usava vocabulário rebuscado, numa supervalorização do rigor formal. De maneira análoga, esse favorecimento da norma padrão em detrimento da linguagem coloquial ainda existe no século XXI e se expressa como preconceito linguístico. Nesse contexto, dois aspectos se destacam: a influência escolar nesse processo e a dominação cultural como consequência direta. Desse modo, medidas de combate a tais problemáticas são necessárias.
De início, cabe elucidar que a construção social, principalmente escolar, favorece o problema em questão. Sob esse ângulo, a escola considera apenas um jeito de falar corretamente, que é através da língua formal. Em contrapartida, existem diversos falares, com regionalismos, variações etárias e sociais e isso, de acordo com o Modernismo, movimento literário do século XX, faz parte da riqueza nacional e deve ser reconhecida. Em síntese, o ensino escolar se limita quando legitima a norma culta como único modo correto de falar.
Em função disso, a língua se configura como mecanismo de dominação na preconceito linguístico. Nesse sentido, segundo Marcos Bagno em seu livro “Preconceito Linguístico: o que é e como se faz”, toda discriminação contra a linguagem é, no fundo, uma discriminação social. Em meio a isso, quando há aversão linguística, há, na verdade, não só o constrangimento do falante, mas também a humilhação de todo um grupo social, o qual é considerado inferior. Dessa forma, através de repressões na linguagem de um indivíduo, oprime-se uma cultura.
Portanto, observa-se que o preconceito linguístico e sua consequência social são favorecidos nas instituições escolares. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Educação modifique a Base Nacional Comum Curricular, por meio da introdução da abordagem obrigatória, nas aulas de Linguagens, do preconceito linguístico de forma intensiva e perene, apresentando exemplos práticos do cotidiano e a importância da valorização da riqueza cultural, a fim de fomentar a identidade brasileira e o respeito. Assim, o século XXI se aproximará mais das características modernistas do que das parnasianas.