Preconceito Linguístico
Enviada em 15/04/2020
Durante o processo de colonização do Brasil, os europeus recém-chegados começam a impor o português, justificando tal ato como forma de “civilizar” os nativos que já viviam no país. Diante disso, pode-se observar desde o período colonial a sobreposição de uma “língua padrão”. No entanto, essa sobreposição ocorre, na maioria das vezes, de maneira excludente colocando um jeito de se expressar como melhor e o correto. Nesse sentido, essa preferência nociva da norma culta contribui para a intolerância quanto às variações linguísticas, acarretando efeitos negativos ao país.
Com efeito, a ignorância por parte da populaçao culta corrobora para a perpetuação desse desprezo quanto as formas de escrever e de falar. No livro “Preconceito Linguístico: o que é e como se faz”, o linguísta Marcos Bagno afirma que não existe forma certa ou errada de falar e escrever. Exemplo disso, são as diferenças linguísticas regionais e culturais, que são específicas de um espaço social, diferenciando-o dos demais. Dessa maneira, não há coerência julgar como incorreto características pertencentes a uma cultura ou religião, já que estes estão vinculados entre si.
Ademais, há uma série de fatores prejudiciais relacionados à essa devida intolerância. Durante o modernismo no Brasil, no séc XX, houve uma valorização da linguagem coloquial, visto que, os artistas passaram a utilizá-las em suas obras. Porém, apesar desse avanço, lamentavelmente ainda há uma enorme separação entre pessoas que seguem a regra padrão e os que não o fazem. Como consequência, percebe-se a exclusão de indivíduos em certos espaços, que se veem destinados à permanecerem em lugares de menor prestígio social, mesmo contra a sua vontade.
Diante disso, cabe ao Governo, juntamente com Ministério da Educação, a criação de campanhas a partir de propagandas expostas na mídia, que mostrem à sociedade os malefícios que o preconceito linguístico acarreta. Além disso, cumpre a escola o papel de indutor dos alunos,fazendo-os desenvolver o olhar crítico quanto a língua portuguesa e valorizando as diferentes formas de expressão. Talvez, a partir dessas ações, o Brasil poderá superar o preconceito existente quanto as variações da língua.