Preconceito Linguístico

Enviada em 15/04/2020

No livro “A República”, Platão visiona uma sociedade em que todos participam dos mesmos direitos e deveres, havendo, assim, uma harmonia social. No entanto, o que se observa na contemporaneidade, sobretudo no Brasil, é um contrassenso no que tange a essa visão da obra, já que a discriminação acerca de variedades da língua apresenta entraves, os quais dificultam a concretização desse ideal platônico. Esse cenário paradoxal é fruto da ausência de ações efetivas do poder público e traz efeitos negativos para o corpo social.

Primeiramente, é fundamental pontuar que a perpetuação do preconceito linguístico advém da ainda tímida atuação das gestões estatais no que tange aos aparatos que detenham tal problemática. Nesse contexto, de acordo com Thomas Hobbes - em sua teoria contratualista -, o Estado é o gestor dos interesses coletivos e responsável pela harmonia social. Todavia, essa máxima filosófica, muitas vezes, não ocorre no Brasil, devido à falta de ações mais contundentes das gestões públicas, como por exemplo, na ausência de rigor na aplicações dos mecanismos legais de combate. Dessa forma, é essencial uma atuação estatal mais arrojada para que o ideal de Hobbes não fique apenas no papel.  Além dessa inobservância governamental, é imperativo ressaltar a exclusão de certas parcelas da sociedade como consequência nociva desse problema. Partindo desse pressuposto, para o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Porém, na maioria das vezes, alguns indivíduos criam uma noção de superioridade quanto os outros, nesse caso a população “culta”, sem observar a conjuntura dos demais, e os inferiorizam por conta disso.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Nesse sentido, cabe ao governo a criação de campanhas, principalmente por meios midiáticos de maior alcance, mostrando os malefícios do preconceito para a sociedade, com o fito de aos poucos promover uma mudança nesse pensamento excludente. Dessa forma, espera-se que o que fora proposto por Platão e Hobbes seja um dia, efetivamente, aplicado na população brasileira.