Preconceito Linguístico

Enviada em 23/04/2020

Em um dos episódios do desenho animado “Hora de Aventura”, o personagem B.M.O, o robô parceiro dos protagonistas, Finn e Jake, é ofendido em virtude da sua voz - a qual se assemelha à de uma criança - e é impedido de dar continuidade à aventura em questão. Fora da animação, no Brasil, a experiência de B.M.O traduz a nefasta realidade de alguns cidadãos: tolher-se em razão do preconceito linguístico. Dessarte, é imperioso apontar as bolhas socioculturais dos indivíduos, atualmente, como a principal causa do problema, a qual promove o escalonamento cultural.

De início, afirma-se que a parte da população que incita tal aversão linguística sobre, muitas vezes, com o fenômeno das bolhas em razão da “Avareza Cognitiva”. Segundo essa teoria do sociólogo contemporâneo Wolf Lapenies, as pessoas, hodiernamente, carecem de introspecção crítica perante seus preceitos, de modo a construirem uma aversão ao próprio pensamento autoanalítico: consolidando uma bolha sociocultural que as “limita”. Sob esse prisma, tal limitação é, no viés da problemática, o que impede muitos cidadãos de depreenderem a tortuosa prática do preconceito linguístico e de se desvencilharem de seus preceitos errôneos. Logo, se, aos que, mesmo sem querer, agravam esse panorama, não é visível tanto a proporção quanto a trivialidade da aversão linguística, tal perpetuar-se-á no país.

Por conseguinte, consoante aos pensadores da escola de Frankfurt, não só a forma de falar mas também a cultura são escalonadas. Isso porquanto, conforme Adorno e Horkheimer, hoje, a cultura é usada como um mero produto sob a ótica capitalista, e, assim como qualquer outro, sobressai-se, nas vitrines, aquele que oferecer mais traços que agradam. Nesse sentido, esses mesmos indivíduos “embolhados” escolhem, em uma espécie de vitrine, a cultura com mais adeptos - que agrada -, segregando as demais e atenuando a diversidade regional do país, o que, em paralelo, unifica as formas de expressão da língua a nível nacional.

Portanto, infere-se que, visto a intempestividade desse panorama, é necessário alterar os fatos que circunscrevem os cidadãos e que contribuem ao preconceito linguístico. Para tanto, compete à própria sociedade, enquanto vítima  coautora da problemática, o dever de, por meio das redes sociais, compartilhar, criar e promover campanhas que mostrem como essa intempérie se manifesta no cotidiano, a fim de convergir à eliminação dessa mazela do país. Destarte, observar-se-ia uma população que é dissonante tanto do que foi feito a B.M.O quanto do que foi passado por ele, de maneira a diversificar, senão destruir, as vitrines culturais dos filósofos de Frankfurt.