Preconceito Linguístico
Enviada em 03/05/2020
A variação linguística é um movimento comum e natural a todas as línguas, e corresponde às possibilidades de mudança de seus elementos - vocabulário, pronúncia, morfologia, sintaxe - que ocorrem no contexto da comunicação. Assim, entende-se que a língua portuguesa não é homogênea, tendo em vista vastidão do território brasileiro, bem como as diversas variações sociais nele presentes. Contudo, o preconceito perante aos falares que fogem da linguagem culta são fortemente presentes na sociedade, o que faz necessária uma mudança de mentalidade do corpo social do país.
Primordialmente, é preciso notar a discriminação sofrida por aqueles que, por suas próprias condições sociais e pelo ambiente em que estão inseridos, “cometem erros” ao se comunicarem. Nesse sentido, destaca-se que, segundo Marcos Bagno, linguista e professor de Letras na Universidade Federal de Brasilia, “de todos os instrumentos de controle e coerção social, a linguagem talvez seja o mais complexo e sutil”. Em consonância com essa afirmação, considera-se que os preconceitos vindos, sobretudo, das classes mais altas da sociedade revelam a instrumentalização da gramática normativa, de modo que se torna um meio de distinção e de dominação pela população culta.
Outrossim, é válido ressaltar o pensamento do filólogo brasileiro Evanildo Bechara, para quem “deveríamos ser poliglotas em nossa língua”. Contrapondo essa ideia, nota-se a sobreposição das diferentes variações da língua no país, e negligencia-se seu caráter constantemente mutável. Prova disso é a predominância do uso restrito da norma padrão nos mecanismos e instituições do país. Além disso, o ensino do Português nas escolas divide-se em coloquial e padrão, de modo que a aprendizagem estabelece um ideal de superioridade comunicativa. Desse modo, é estabelecida uma hierarquização das variações da língua, que acarreta na discriminação e no preconceito perante as diferentes formas de expressão.
Portanto, é evidente a premência de medidas que detenham a subjugação das variedades linguísticas no Brasil. Assim, é necessário que a mídia, pelo seu poder de propagação de informações, promova a inclusão das diferentes variâncias do português, por meio da inclusão de regionalismos, sotaques e diferentes vocábulos em seus filmes e telenovelas, de modo que se promova a igualdade de tratamento entre todos os falantes da língua. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação promova uma reformulação do ensino da linguagem nas escolas, mediante a exposição de conteúdos que expressem as diferentes formas de expressão e variações linguísticas, para que seja rompido o ciclo vicioso de preconceito na sociedade e que se ampliem as adaptações necessárias ao “poliglotismo brasileiro”. Assim, poder-se-á combater efetivamente o esse preconceito no país.