Preconceito Linguístico

Enviada em 08/05/2020

Comunicação é um termo que deriva do latim “communicare” e significa compartilhar e tornar algo comum.No entanto, ainda persiste o prejulgamento com as variações da língua,sendo desconsiderado que a comunicação independe da norma culta. Classifica-se como preconceito linguístico aquele gerado pelas diferenças linguísticas existentes dentro de um mesmo idioma. Essa discriminação no Brasil, é causada pela elitização da norma culta,mas que não faz parte da maior parte da população.

Em primeiro lugar, deve ser abordado o acesso à educação. Além disso,considera-se que essa intolerância está ligada à educação e à renda, muitas pessoas falam errado por não terem tido escolaridade,ou então, possuem um grau muito baixo de instrução isso é resultado de um país elitista em que, por muitos anos, a maior parte da sociedade não teve acesso ao conhecimento. Segundo o PNAD-Pesquisa Nacional Análise de Domícilo-, em 2015 a população brasileira estima-se em 184,4 milhões, sendo que a metade dessa população se declara preta ou parda, que por muitos anos foi restringida de ter oportunidade de estudo principalmente pelo dilema de estudar ou se sustentar,como foi o caso ocorrido no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra (SP), relatado na mídia nacional,em que o médico Guilherme Capel Pasqua mostra em uma de suas redes sociais o receituário debochando do paciente e relatando no vídeo que não existia a palavra “peleumonia”,referindo-se ao paciente  eletricista Claudir Thomaz que,por vivenciar esse dilema, teve que optar por trabalhar.

Em outra perspectiva, emissoras de grande audiência mostram um prejulgamento com algumas regiões. Assim, as principais são o nordeste e o norte, que em suas exibições propõem que os povos dessas regiões são grotescos ,rústicos,atrasados e subdesenvolvidos. Esses personagens são criados para provocar risos e escárnio, como o Jeca Tatu, personagem criado pelo escritor Monteiro Lobato. Dessa forma,esse tipo de exibição em rede nacional aumenta ainda mais o preconceito  com as variações linguísticas das regiões.Segundo o escritor, Marcos Bagno, autor do livro Preconceito Linguístico,relata que há diversos níveis de preconceito e classifica-os como socioeconômico,regional,cultural,racismo , normalmente esses prejulgamentos dirige-se as variantes mais informais e ligadas às classes sociais menos favorecidas,as quais,têm menor acesso a educação.

Evidência-se, portanto, que o prejulgamento com os outros tipos de variações linguísticas é histórico e enraizado.Para que haja mudança, o Ministério da educação por meio da BNCC-Base Nacional Comum Curricular- explorar a abordagem das variações linguísticas interdiciplinarizando  Português e História, além disso, deve ser feito saraus, palestras abordando as variações das regiões para que os estudantes se formem com a consciência da plurirealidade cultural do nosso país.