Preconceito Linguístico

Enviada em 12/05/2020

Marcos Bagno, importante linguista brasileiro, estudara o preconceito linguístico em seu livro “Preconceito Linguístico - o que é, como se faz”. Nele, o autor estabeleceu, nas diretrizes socioculturais do Brasil, a existência de tal problema, o qual se mostra, segundo ele, como uma aversão às diferentes formas comunicativas. Nesse sentido, apontam-se, como causas à problemática, a mercantilização cultural e a avareza cognitiva.

Primeiramente, observa-se a atual relação entre tal mazela com o viés capitalista que pousa à cultura. Para depreender esse, vale evocar Adorno e Horkheimer, filósofos que, por meio da teoria “Indústria Cultural”, preconizaram o caráter “produto” inerente às produções culturais, as quais se tornam meros insumos em uma espécie de vitrine. Sob esse prisma, considerando a intrínseca conexão entre os costumes e o modo de falar, é notório que, atualmente, essa vitrine permite que muitos cidadãos, ao se ancorarem a certos produtos, incitem o preconceito linguístico: segregando e marginalizando demais culturas em face dos diferentes jeitos de se expressar.

Outrossim, com base nessa noção de língua e de costume, muitos indivíduos denotam tal aversão em razão de outra intempérie contemporânea. Para depreender tal, vale evocar a neurocientista Maryanne Wolf e a sua teoria “Impaciência Cognitiva”. Com ela, a estadunidense prega a existência de uma avareza cognitiva, ou seja, reações rápidas e pouco refletidas diante do diferente. Nessa perspectiva, acostumadas a escalonar a cultura com respaldo em tal vitrine, as pessoas, comumente, perante expressões dissonantes às suas, manifestam discursos minimamente preocupados com as idiossincrasias de outrem, consolidando o preconceito linguístico, o que é, decerto, fruto dessa impaciência.

Portanto, visto a intempestividade dessas mazelas, infere-se a imperiosidade em dissolvê-las para evitar o preconceito linguístico no país. Para tanto, compete ao Estado, na figura do Ministério da Cidadania - instância máxima acerda da sociedade brasileira -, o dever de elaborar campanhas que, por meio da mídia do país, dirijam-se às pessoas, de modo a evidenciar o dolo por trás tanto da mercantilização, quanto da avareza cognitiva, a fim de atenuar tal prática na nação. Ademais, é papel da sociedade valorizar as diversidades regionais do Brasil, desvencilhando-se dessa prática tortuosa. Dessa forma, observar-se-ia uma população mais integrada a qual, mesmo que díspare, não se encaixa em livros como o de Bagno.