Preconceito Linguístico
Enviada em 15/05/2020
No Brasil,em 1922,deu-se inicio a primeira fase do Modernismo,movimento cultural que caracterizou-se,sobretudo,pela ruptura dos padrões cultos e estéticos por meio da criação de obras com forte valorização dos variados dialetos presente no país.No entanto,embora essa corrente literária tenha proposto uma nova perspectiva sobre o uso da linguagem,é notório que hoje muitos indivíduos consideram sua maneira de falar superior ao de outros grupos,sendo uma das ferramentas de segregação social.Esse cenário antagônico é fruto,tanto da falta de valorização cultural,quanto do domínio da norma culta perante as variantes.Diante disso,torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
A priori,é importante destacar,á incoerência de existir preconceito linguístico em um país cuja à ocupação foi híbrida,ou seja,houve mistura de culturas durante sua colonização,sendo assim sua língua apresentará diversas particularidades no contexto regional,social e histórico.Além disso,é importante lembrar que cada variante possui características intrínsecas e isso é patrimônio cultural de determinado grupo,logo,discriminar algumas formas de realização configura etnocentrismo e falta de conhecimento da história de um país.Sendo assim,ficam evidentes a inconsistência do preconceito e a necessidade de proposição de políticas públicas a fim de que se erradique essa problemática.
Ademais,segundo Bechara – membro emérito da Academia Brasileira de Letras – cada qual deve ser poliglota em sua própria língua,isto é,não se faz necessário pensar em correções ou incorreções gramaticais,mas em adequação às situações de fala.Porém,é necessário aceitar que a predominância da norma culta é recurso eficaz para a manutenção do afastamento social,gerando uma barreira a certos indivíduos,pois por não terem domínio da variante padrão,se sentem inaptos a frequentar certos locais ou empregos.Nesse sentido,é correto afirmar que sujeitos com maior escolaridade e maior poder aquisitivo,por exemplo,sobressaem-se em detrimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades,reforçando,assim,a lógica meritocrática e a visão de soberania lexical.
Assim,medidas fazem-se necessárias para o fim do problema.Portanto,cabe ao MEC ações que reformulem os cursos de letras nas instituições de ensino superior no país, atuando na formação dos professores,por meio de cursos e palestras que demonstrem como incentivar o respeito aos variados registros e a valorização da diversidade.A fim de que esses ensine os alunos as inúmeras variantes de nossa língua, e os refletindo que não existe a linguagem ‘’certa’’ e ‘’errada’’,para que assim a maioria dos brasileiros sejam representados.Desse modo todos compreenderão a proposta do Modernismo,e também contemplarão a beleza da diversidade linguística brasileira.