Preconceito Linguístico

Enviada em 20/05/2020

As consequências causadas pelo preconceito linguístico

A língua está sempre em movimento, mudando, adaptando-se. Na escola, estudamos português por meio da gramática normativa, que delimita os usos que devemos fazer da língua. No entanto, as possibilidades são muito mais amplas do que aquilo que os livros prescrevem, especialmente quando se trata de língua falada. Ainda assim, há quem prefira a delimitação e despreze os usos não convencionais. Por isso, ocorrem situações de preconceito linguístico, definido pelo desrespeito às variantes da língua. Comentários ou atitudes de menosprezo ao modo como determinada pessoa se comunica são comportamentos rudes, capazes de silenciar essas pessoas na sociedade. Essas diferenças não indicam a superioridade ou a inferioridade de uma linguagem ou de outra; denotam, simplesmente, a diversidade. Costuma-se acreditar que a língua falada antigamente seja sempre superior à língua utilizada no presente. Isso é um equívoco e configura o que chamamos de preconceito linguístico, uma vez que desconsidera as variação linguística – históricas ou geográficas – como um fenômeno social esperado. Se as línguas antigas fossem superiores e intocáveis, ainda estaríamos falando latim. A variação na língua nem sempre ocorre apenas pela região. Outro importante fator que gera distintos modos de se comunicar é o tempo. Um exemplo disso são as gírias. Uma das grandes funções do ensino escolar é formar cidadãos conscientes. Assim, é de extrema importância que se desconstruam preconceitos, os quais os alunos podem herdar de uma sociedade que ainda não alcançou efetivamente o respeito às diferenças. Nisso inclui-se o preconceito linguístico, talvez um dos tipos de preconceito ao qual menos se dá atenção. Há quem confunda o combate ao preconceito linguístico com uma permissividade desmedida em relação ao processo comunicativo. Mas não se trata disso. Considera-se, sim, que diferentes situações demandam usos linguísticos diversos e que o domínio das prescrições da tradicional gramática normativa é uma das competências fundamentais (não a única, portanto). Aquele que, de fato, domina o uso da língua sabe das muitas variantes que podem existir e compreende a validade delas.