Preconceito Linguístico
Enviada em 16/05/2020
Chico Bento, criado por Maurício de Sousa, é o protagonista de uma série de revistas em quadrinhos que retratam o cotidiano da vida rural. Em suas histórias, é notável o uso de diversos estereótipos acerca da linguagem interiorana, reforçando preconceitos enraizados na sociedade. Em outras palavras, a forma caricata que o autor retrata o dialeto campesino, fortalece a imagem pejorativa e a exclusão das variantes linguísticas, coisas que devem ser amplamente combatidas.
Desta forma, a vulgarização tanto do linguajar campestre quanto de outros dialetos de grupos com menos prestígio social, culmina, na acentuação de outros preconceitos. Por exemplo, classes desfavorecidas têm menos acesso a educação e cultura, deste modo, não é possível um pleno conhecimento da norma culta, logo, essa população geralmente domina a linguagem informal. Assim são privados de diversas oportunidades profissionais, além de constantemente sofrerem humilhações verbais e psicológicas.
Conforme dito por Marcos Bagno, professor, linguista e filólogo, em sua obra “Preconceito Linguístico: como é, como se faz”(1999), o desprezo por variações linguísticas, provém, de uma visão elitista. Isto é, a padronização imposta pela população abastada, considera toda expressão que divirja da norma formal como “errada”. Essa é uma maneira superficial de observar uma linguagem, tendo em vista, que com a pluralidade do povo, a língua também propende a ser diversa.
Portanto, por ser um preconceito estrutural, é imprescindível a participação da escola,da mídia e da população, como propagadores da adequação linguística. Esse princípio visa o não julgamento das variantes da linguagem, considerando apenas se o uso dela é próprio ou não para a situação. Assim, as pessoas poderão se expressar da maneira que acharem melhor, sem medo de sofrerem preconceito. Por consequência teremos um mundo mais gentil e pronto para aceitar as diferenças.