Preconceito Linguístico
Enviada em 17/05/2020
“Dê-me um cigarro diz a gramática do professor e do aluno e do mulato sabido mas o bom negro e o bom branco da Nação Brasileira dizem todos os dias deixe disso camarada me dá um cigarro”. No poema “Pronominais” de Oswald de Andrade é possível perceber a distância entre o idioma falado e o escrito e como ambas as variações devem ser abordadas de forma flexível. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o poeta prega, uma vez que o preconceito linguístico desenvolve barreiras que dificultam as ideias do poema.Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimento do Estado na educação quanto da discriminação das pessoas sobre o tema. Precipuamente, é fulcral pontuar que o do preconceito linguístico e suas consequências, deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Consoante ao sociólogo Alemão Dahrendorf, no livro “A Lei e a Ordem”, a anomia é uma condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam a sua validade. De forma similar a esse pensamento, nota-se que, por conta da baixa atuação do governo, o meio social encontra-se em estado de anomia. Haja vista que a problemática tem base no baixo investimento do Estado na educação, e devido ao grau de escolaridade inferior muitas pessoas acabam cometendo erros linguísticos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a discriminação social como promotora do problema. Segundo Marcos Bagno – um dos principais estudiosos no assunto – o preconceito linguístico surge porque a norma-padrão tem como base a literatura consagrada dos séculos passados e ignora completamente os falantes de hoje em dia. Nesse sentido, como a língua é dinâmica ocorre um descompasso entre como se escreve e o modo que se fala, portanto quanto mais a fala estiver longe da escrita maior será a discriminação. Em fim, tudo isso retarda a resolução do empecilho, uma vez que a discriminação social contribui para a perpetuação desse quadro.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se de que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na realização de campanhas publicitárias e palestras em escolas e universidades. Por meio de entrevistas com especialistas no assunto, tendo como foco esclarecer as diferenças entre a fala e a escrita, ao explicar a sua função e importância no meio acadêmico e profissional, e demonstrar o emprego da linguagem não-normativa, dentro dos mais diversos estilos musicais culturais e literários. Tais debates devem ser fornecidos ao público por meio da mídia , com o intuito de sanar eventuais dúvidas e trazer mais lucidez sobre o assunto.