Preconceito Linguístico
Enviada em 20/05/2020
Ao analisar o tema sobre o preconceito, é notório que a língua é a identidade e a cultura de uma sociedade. O documentário “Língua: Vidas em Português” de Victor Lopes, é retratado as diversas maneiras, pronúncias e sotaques que as pessoas que foram gravadas falam a língua portuguesa no mundo, levando ao foco do documentário que é a beleza da variedade do português para milhares de indivíduos. Infelizmente, no Brasil o preconceito é muito presente na população, uma vez que o simples pronunciamento “errado” torna-se motivo de piada.
No modernismo brasileiro, é super valorizado os falares regionais, populares e a cultura não reconhecida tradicionalmente no país, nesse sentido, cita-se Oswald de Andrade e seu poema “Pronominais” que expõe os erros de colocação pronominal. Segundo o IBGE, no Brasil existem cerca de 11 milhões de pessoas analfabetas, nesse grupo estão principalmente nordestinos e moradores de zonas rurais que acabam sendo reprimidos devido a pouca escolaridade, evidenciando outra problemática que é a desigualdade social no Brasil. A pessoa que é ridicularizada pelo seu linguajar se sente limitada, deprimida e constrangida, principalmente estando no mesmo ambiente de pessoas com uma boa educação.
Sob o mesmo ponto de vista, é certo que temos como exemplo o português formal e padrão, entretanto a escola, a sociedade e a mídia consideram existente somente uma forma correta de falar, o que é um mito, na verdade o que os tornam únicos são os falares, as culturas, as variações sociais evidenciando a riqueza nacional. A escola ensinando apenas a gramática tradicional acaba aliciando os alunos ao preconceito, limitando-os a reconhecer apenas um aspecto da linguagem. Similarmente quando a mídia faz uma publicação ridicularizando as pessoas nordestinas pelo sotaque; tal qual a sociedade fazendo piada com o “pra mim fazer” comparando com o linguajar dos índios, significando uma manifestação do preconceito social em relação ao preconceito linguístico.
Logo, ações são necessárias para amenizar a problemática. Cabe ao Governo juntamente com o Ministério da Educação e escolas criarem atividades interdisciplinares sobre as linguagens e culturas de cada região, nas aulas de português é necessário os professores abordarem de forma intensiva o assunto, com obras modernistas, conscientizando os alunos sobre a importância que se deve levar as diferenças. Outrossim, é indubitável a garantia de que todos tenham direito a educação, com a criação de mais escolas públicas nos locais com maior índice de analfabetismo, afim de diminui-los. A mídia pode fazer programas e campanhas de informações linguísticas e culturais, intensificando a cultura, o respeito e a tolerância pelo todo. Portanto, tais medidas seriam eficientes para combater esse impasse.
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