Preconceito Linguístico

Enviada em 24/05/2020

No clássico infantil “Alice Através o Espelho”, protagonista Alice é ridicularizada pela Rainha Vermelha por falar de modo supostamente vulgar. Apesar de ficcional, tal situação é comum no Brasil, devido a ocorrência da humilhação de indivíduos por sua maneira de falar, sucedendo, assim, o preconceito linguística. Desse modo, é necessário compreender como a falta de consciência da existência da variedade linguística e o estereótipo de superioridade da língua, oportunizam que preconceito linguístico exista na Nação.

Por certo, o Brasil é um país de dimensões continentais, possui diversas culturas que representam sua região de origem. No entanto, inúmeras pessoas não depreendem isso ao criticar sotaques, gírias e dialetos, como se os mesmos fossem um desvio da homogeneidade. Dessarte, o autor Marcos Bagno em seu “A Mitologia do Preconceito Linguístico” aborda que a Língua Portuguesa no Brasil não apresenta unidade, afinal, existem incontáveis variações de acordo com região e estado, por exemplo, compondo o “quebra cabeça linguístico”, porém muitos brasileiras não detêm tal conhecimento e insistem na ideia da singularidade linguística. Em suma, devido tal crença, os que diferem da inexistente unidade sofrem o preconceito linguístico.

Outrossim, persevera, também, a concepção de que há forma correta de falar português, assim, pessoas de uma região ridicularizam o sotaque de outra, afirmando, que os mesmos discursam de maneira errada, intitulando-os de “caipiras”, por exemplo. Destarte, o filósofo polonês Zygmunt Bauman na sua obra “Cegueira Moral”, reitera que o mal revela-se na insensibilidade diária diante do sofrimento do próximo, contexto que representa os atos de humilhação daqueles que falam de modo distinto do qual a pessoa está habituada, pois os reprimidos sentem-se mal com o preconceito, em conclusão, não existe lei que puna tal ato, perpetuando tal ocorrência. Logo, muitos sofrem exclusão social e pressão psicológica para findar seu sotaque.

Portanto, cabe à Mídia (cuja função é agir para informar e conscientizar a população) anunciar a existência da variedade linguística no Brasil, por meio de campanhas publicitárias que exponham indivíduos de diversas regiões do país, com seus sotaques e dialetos que representem a identidade de sua cultura, a fim de que as pessoas conscientizem-se e compreendam a pluralidade brasileira. Além disso, é preciso que Câmara dos Deputados proponha uma lei que puna o preconceito linguística, para que contenha tal revés da sociedade. Somente assim, nenhum brasileiro sofrerá o preconeito que Alice recebeu da Rainha Vermelha.