Preconceito Linguístico

Enviada em 25/05/2020

O Modernismo foi uma escola literária que se iniciou no século XIX e que valorizava as variações da linguagem. Infelizmente, a sociedade não adotou essa prática de valorização das diferentes formas de se comunicar, visto que, ainda hoje, existe o preconceito linguístico, derivado da cultura etnocêntrica do passado e que reflete em uma forma de coerção social.

A priori, vale ressaltar que o preconceito supracitado advém dos primórdios do Brasil, em que Pedro Magalhães Gândavo, como outros, já demonstrava a discriminação com a cultura indígena em suas cartas, dizendo que a língua não possuía F, nem L, nem R, alegando que não tinham fé, nem lei e nem rei, o que mostra o sentimento de superioridade contra a cultura distinta. Nesse sentido, a sociedade atual, segundo Montaigne, ainda condena aquilo que é estranho, fato que reflete no preconceito contra tudo que é diferente, como um sotaque ou um dialeto por exemplo.

Além disso, a existência de uma linguagem correta é uma das formas mais complexas de coerção social, segundo Marcos Bagno. A título de exemplo, Graciliano Ramos, em “Vidas Secas”, retrata história de Fabiano, um homem que não consegue se comunicar verbalmente e por isso vive à margem da sociedade. Dessa forma, diversos indivíduos que não têm o domínio da linguagem formal, são vítimas de preconceito e podem perder oportunidades, como um emprego por exemplo.

É inegável, portanto, a necessidade de solucionar o problema do preconceito linguístico no Brasil. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação incrementar o currículo escolar, por meio da adição de aulas e de atividades sobre dialetos e sotaques brasileiros, bem como criar projetos para levar a educação a todos os lugares do Brasil, através do aumento no número de escolas, a fim de oferecer conhecimento da diversidade da língua a todos, assim como diminuir o preconceito sobre ela. Assim, a valorização da variação linguística pregada pelo modernismo será alcançada.