Preconceito Linguístico
Enviada em 27/05/2020
O poema “Pronominais” de Oswald de Andrade ressalta a proposta de reduzir a distância entre a linguagem falada e a escrita, uma das principais características do primeiro tempo Modernista (1922-1930), renegando, então, o passado acadêmico. Embora a língua seja dinâmica, ainda persistem situações discriminatórias frente aos falantes que não dominam as regras gramaticais e também diante de sotaques nordestinos, por exemplo. Nesse viés, é necessário analisar como esses preconceitos perpetuam estigmas sociais e também desvalorizam a diversidade existente no país.
Em primeiro lugar, cidadãos que não sabem utilizar as regras formais da língua portuguesa, as vezes, são condenados por esses erros. Apesar da Constituição Federal de 1988 assegurar educação gratuita, as desigualdades sociais fazem com alguns estudantes tenham que abandonar a escola para ajudar na renda da família. Com isso, diversos deles, reproduzem vícios na fala ou na escrita que não impedem a comunicação, pois como caracterizou o linguista Marcos Bagno, a exigência do domínio da norma culta é preconceituosa, afinal, nem todos têm as mesmas oportunidades. Logo, desconstruir esses estereótipos podem ajudar na evolução social.
Em segunda análise, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda caracteriza o brasileiro como um homem cordial, hospitaleiro e generoso. Por outro lado, essas características positivas não são constatas diante de algumas variações linguísticas regionais, visto que seus falantes são depreciados, já que foram naturalizadas em diversos discursos. Nessa conjuntura, como caracterizou o também sociólogo Paulo Freire a educação nacional é bancária, assim, grande parte dos alunos não são estimulados a criticar, nem a refletir, marginalizando essas múltiplas formas de comunicação.
Portanto, as falhas na educação básica comprometem a alfabetização regular e imortalizam o preconceito linguístico. Diante disso, para resgatar a proposta de Oswald de Andrade, o Ministério da Educação em parceria com ONGs devem veicular campanhas publicitárias na televisão e nas mídias que valorizem a diversidade e também disponibilizar os locais para denunciar eventuais injustiças. É importante também, que os professores de português indiquem obras de diversos autores a fim de prestigiar e familiarizar os estudantes para que sejam capazes de refletir. Com essas medidas, será possível implantar a educação libertadora de Paulo Freire.