Preconceito Linguístico
Enviada em 29/05/2020
Segundo Marcos Bagno, preconceito linguístico é todo valor negativo atribuído às diversas variedades linguísticas de menor prestígio social. Esse preconceito atinge toda uma camada menos abastada e, portanto, é utilizado em ações de pessoas que praticam outras discriminações, de modo que faça a vítima ficar envergonhada não só pela sua cor, por exemplo, mas também pela sua forma de falar. Dessa forma, por ser uma discriminação que serve como munição para outras intolerâncias, deve-se pensar nas causas desse julgamento linguístico que são os estereótipos difundidos nas mídias sociais e a ineficiência estatal.
Primeiramente, os estereótipos produzidos e difundidos nas mídias e redes sociais são geralmente relacionados à uma questão regional e auxiliam na manutenção do pensamento de que pessoas de tal lugar falam errado e por isso se pode cometer alguma hostilidade com ela. Esse padrão regional é observado em personagens de novelas da Rede Globo como o Candinho da novela Flor do Caribe, que possui bastante sotaque e trejeitos cômicos. Assim, com a observação dessas limitações quanto ao seu falar e jeito, pode-se perceber como consequência um preconceito que não se restringe somente à forma de se comunicar, mas também ao seu lugar de origem.
Em segundo plano, a ineficiência estatal em não garantir uma educação igualitária para todos no país resulta em permanência da hostilidade linguística. Essa diferença de ensino é comprovada quando observa-se os a média de matemática no ENEM 2018, em que das escolas públicas foi 532,6 e das escolas particulares 625,9, segundo o site G1. Dessa maneira, percebe-se que há uma diferença entre os ensinos público e privado, sendo a média das notas de matemática das escolas pública bem mais baixa que a das escolas particulares, o que pode contribuir para que pessoas pensem que como tiveram acesso a um ensino melhor e à norma-padrão podem ser intolerantes quanto ao falar de outros.
Logo, com a difusão de estereótipos e a ineficácia estatal perpetua-se o preconceito linguístico, que é utilizado em outras discriminações para atingir ainda mais as vítimas. Portanto, o Estado deve criar uma secretária que regule os estereótipos na TV. Além disso, o Governo, por ser o órgão regulador da sociedade, deve investir mais na educação pública, por meio de repasses para o Ministério da Educação, a fim de que se tenha um melhor ensino, diminuindo a diferença com a educação privada. Desse modo, espera-se acabar com o que Marcos Bagno chamou de valor negativo às diversas variações linguísticas pertencentes a classes mais pobres na sociedade brasileira.