Preconceito Linguístico
Enviada em 31/05/2020
O preconceito linguístico é praticado com base nas diferenças linguísticas que existem dentro de um mesmo idioma. A princípio, no Brasil, devido a sua formação sócio-cultural pela miscigenação de diversos povos, a Língua Portuguesa apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Embora tal fato seja típico na realidade brasileira, o preconceito linguístico é muito evidente e, por isso, é preciso entender que há diversas variantes na linguagem, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais.
Mundialmente, o Brasil é considerado, como dito no parágrafo anterior, um país miscigenado e de cultura ampla. Devido a isso, não é raro encontrar, dentro da sociedade brasileira, diversas manifestações artísticas, de expressão e, também, linguísticas. As variantes faladas no Nordeste, por exemplo, divergem das faladas no Sul, contribuindo para a riqueza de um idioma. Conforme defendido pelo escritor Marcos Bagno, a descriminação com base no modo de falar é encarada com muita naturalidade na sociedade brasileira. Com isso, é válido mencionar o preconceito linguístico como uma face do preconceito social que perdura no Brasil há anos, visto que formulada por uma classe dominante do país, o conhecimento da gramática tem sido usado como instrumento de distinção e dominação.
Por certo, tal empecilho provém da ignorância, em que esta é passada hereditariamente, fugindo abertamente de todos os princípios éticos e humanitários. Ademais, a carência de discussões ligadas ao combate desse tipo de intolerância faz com que acentue-se ainda mais a desigualdade social no país, pois a língua tem relação direta na estrutura de valores sociais, e os falantes da língua culta são aqueles que possuem um maior nível de escolaridade e poder aquisitivo, o que acarreta aos descriminados problemas de sociabilidade.
Em suma, é notória a necessidade de medidas para amenizar o impasse, tendo premissa de que a língua é um fator decisivo na exclusão social. O Ministério da Educação deve reformular a composição da matriz curricular da disciplina de língua portuguesa nas instituições de ensino, em que será acrescentado o ensinamento das variantes linguísticas, partindo dos princípios éticos e históricos, com a finalidade de formar cidadãos tolerantes e inclusivos. Além disso, a mídia deve parar de estereotipar os personagens de acordo com sua maneira de falar e poderia investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico , atingindo diversos públicos, formando uma sociedade poliglota em sua própria língua. Desse modo será possível amenizar o problema e chegar cada vez mais perto da harmonia social e linguística no país.