Preconceito Linguístico

Enviada em 01/06/2020

O preconceito linguístico é praticado com base nas diferenças linguísticas que existem dentro de um mesmo idioma. No Brasil, especificamente, não se trata de um assunto novo, mas que advém desde o período da colonização, na qual os indígenas que viviam nas terras brasileiras eram rebaixados por não entender e falar a “língua portuguesa”. Atualmente, o conflito abrange não só as diferentes regiões do país, mas também diferentes grupos sociais. Nesse contexto, observa-se certa  intolerância à diversidade cultural do Brasil por alguns grupos preconceituosos, além dos reflexos de uma crise educacional presente na sociedade há décadas, que corrobora na intensificação dessas atividades hostis de ataques à minorias por causa de suas variantes linguísticas.

Primordialmente, denota-se o Brasil como um país miscigenado e de cultura ampla. Devido a isso, não é raro encontrar diversas manifestações artísticas, de expressão e, também, linguísticas. As variantes faladas no Nordeste, por exemplo, divergem das faladas no Sul, contribuindo para a riqueza do idioma. No entanto, há resistência de parte da população em aceitá-las, refletida na criação de um esteriótipo nordestino analfabeto ou interior, cuja fala é considerada errada e, por isso, é tida como incapaz. Tal tipo de preconceito acaba constrangendo e excluindo regionalmente populações inteiras, alimentando uma intolerância radical que beira a xenofobia.

Ademais, a esteriotipação que produz o preconceito linguístico se estende a quem possui baixa escolaridade. A crise educacional brasileira que assola o país há dezenas de anos expõe grupos que enfrentam dificuldades de acesso à escolas. Essa deficiência educacional é utilizada muitas vezes por outros cidadãos e pela mídia para criar um imaginário de ‘fala errada’ de quem é pobre. A título de exemplo, a personagem Adelaide, do programa humorístico Zorra Total, é tratada comicamente como uma pessoa de baixa renda e de aparência grotesca, que fala tudo de forma errada em relação à norma padrão. Questões como esta funcionam como uma arma de segregação, pois facilitam a assimilação populacional de que indivíduos na mesma condição de Adelaide são inferiores e devem se envergonhar da forma como falam apenas por ser uma maneira pouco convencional dentro do padrão aceito.

Sendo assim, a fim de garantir a liberdade de fala dos brasileiros, é mister que o Ministério da Educação, por meio de prévia modificação dos conteúdos escolares nacionais e da inclusão de minorias de baixa renda em escolas, incentive o debate direcionado acerca das variantes linguísticas nas aulas administradas por professores de português, a fim de garantir que o caráter cômico de falas tidas como diferentes seja desconstruído na formação dos alunos. Com isso, a sociedade aproximar-se-á da extinção de figuras esteriotipadas criadas por grupos preconceituosos e do preconceito linguístico.