Preconceito Linguístico
Enviada em 02/06/2020
O preconceito é algo que acompanha todas as civilizações ao longo do tempo. Os desvios da norma culta são duramente criticados, posto que, tem-se como base a gramática normativa. Além disso, tal gramática é completamente diferente do modo falado pelos brasileiros, dado que essa varia de acordo com a situação social, cultural e histórica do povo. De acordo com o livro “Preconceito linguístico”, de Marcos Bagno, não existe uma forma correta ou incorreta de se expressar. Contudo, o preconceito linguístico está enraizado nas pessoas, que levam em consideração apenas o seu próprio jeito de falar, designando-o como modo correto.
Em primeiro plano, deve-se analisar a colonização portuguesa e o fato de que ela teve um papel fundamental para a construção do Brasil. Os portugueses impuseram sua língua, ignorando todos os idiomas indígenas. Por conseguinte, a língua portuguesa padrão é considerada superior as suas variantes, sejam elas regionais, sociais ou culturais. Pode-se notar, com isso, que sempre existiu algum tipo de preconceito, o qual foi levado de geração a geração. Com o movimento modernista, na literatura, começou-se a ter um nacionalismo, com o intuito de valorizar a linguagem brasileira, com todas as suas variantes e peculiaridades, fazendo com que houvesse uma diversidade linguística mais aceita no país.
Ademais, há certos tipos de distúrbios, como a dislalia, que o indivíduo possui dificuldade na pronúncia da letra “R”, e troca-a pelo fonema do “L”. Tal fato pode ser expressado por meio do personagem Cebolinha, criado por Maurício de Souza, o qual, no enredo, sofria preconceito em virtude de seu distúrbio. Crianças e jovens que possuem a dislalia sofrem “bullying” em ambientes escolares, e, até mesmo, em casa. Tal fato é resultante do pré-conceito de que se tem que todos devem falar da mesma maneira, de modo que se desconsidera, nesse caso, o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Sendo assim, a fim de amenizar essa problemática, é de extrema importância que as escolas ensinem que há variantes da língua portuguesa, e que essas não constituem a forma errônea. Outrossim, é mister que o Estado, juntamente com o Ministério da Educação, por meio de projetos que visem a diversidade linguística entre os indivíduos, a partir da arrecadação de impostos destinados à educação, incentive a produção e a criação textual. Tal projeto deve ter seu foco principal nas crianças e jovens, com o intuito de transformar a língua portuguesa em uma língua que cultiva a diversidade, na qual não exista modo correto ou incorreto de se expressar.