Preconceito Linguístico

Enviada em 03/06/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao bem estar social e, segundo o artigo 2, nenhum ser humano deve ser privado de nenhum direito por distinção de qualquer espécie. Conquanto, a discriminação da fala coloquial em situações do dia a dia impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

A educação é o fator principal no desenvolvimento de um País. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na inépcia de alguns indivíduos em diferenciar situações onde é necessário o uso da linguagem formal se faz necessária, seja em textos acadêmicos ou documentos importantes, das situações onde a linguagem cotidiana se faz comum no dia a dia pela possibilidade de dispensar o emprego formal. Diante dessa situação, é inadmissível que a sociedade continue a negligenciar o preconceito linguístico.

Ademais, a língua é um enorme iceberg flutuando no mar do tempo, e a gramática normativa é a tentativa de descrever apenas uma parcela mais visível dela, a chamada norma culta. Essa descrição, é claro, tem seu valor e seus méritos, mas é parcial e não pode ser autoritariamente aplicada a todo o resto da língua, afinal, a ponta do iceberg que emerge representa apenas um quinto do seu volume total. Ou seja, é essa aplicação autoritária, intolerante e repressiva que impera na ideologia geradora do preconceito linguístico. Para o antropólogo Franz Boas, à cultura deve ser relativizada ou seja, é necessário que se olhe para determinado segmento cultural de acordo com a visão do indivíduo que pertence à ela, com isso ele mostra o quão é equivocado o preconceito linguístico na sociedade. Desse modo, é inadmissível que sociedade avance sem que seja feito um polimento em seus costumes.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, por meio de propagandas ideológicas em emissoras de Tv e redes sociais,  desenlvova campanhas midiáticas de modo a difundir ideáis de luta a discriminação da fala coloquial. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições de vida do povo brasileiro.