Preconceito Linguístico
Enviada em 05/06/2020
Durante boa parte da história brasileira houve uma perseguição às línguas de origem africana e indígena buscando hegemonia lusitana nos trópicos. Não distante do passado, nos dias atuais, o preconceito linguístico pode ser entendido como substancial alavanca para o agravamento dos preconceitos sociais. Esse cenário antagônico é fruto tanto da uma manipulação ideológica elitista, quanto da intolerância vigente nas instituições.
Em primeira instância, sabe-se que o preconceito linguístico pode ser entendido como a aversão a qualquer forma de uso da língua fora da norma padrão imposta ideologicamente pelas elites. Sob esse aspecto, é cabível relacionar essa realidade com a máxima de Foucault que afirma que “a língua é instrumento de poder”, descrita em sua obra “a microfísica do poder”. De maneira análoga, observa-se uma discriminação aos sotaques nordestinos, camponeses e nortenhos e uma supremacia ideológica da maneira urbana e sudestina ou sulista de falar. Dessa forma, tristemente os indivíduos discriminados são excluídos de diversos processos sociais.
Advém ressaltar, também que as várias instituições brasileiras são responsáveis por propagar tal ideia. Acerca dessa premissa, pode-se traçar um paralelo com a obra “preconceito linguístico” de Carlos Bagno em que afirma que a escola e a média tem papel fundamental na disseminação desse impasse. Nessa perspectiva, a sociedade civil que nutre-se do preconceito linguístico desde a infância é excludente com a camada mais pobre que não tem acesso à educação de qualidade e por conseguinte só domina uma maneira informal de comunicar-se. Consequentemente, a inserção da camada vulnerável no mercado de trabalho torna-se restrita e a ascensão social dificultada.
Com finalidade de atenuar o preconceito linguístico excludente, o Governo federal, por meio do ministério da educação, deve criar a matéria de diversidade linguística. Essa por sua vez, deve ser obrigatória e fará parte da grade curricular das escolas públicas e privadas. Com tal ação, o preconceito diminuirá entre os alunos e por conseguinte na sociedade civil. Por fim, diferente de seus antepassados que oprimiam a diversidade linguística, o povo brasileiro irá compreendê-la e tolera-la.