Preconceito Linguístico
Enviada em 08/06/2020
Língua é um conjunto de códigos comuns utilizados por pessoas para fins comunicativos.No Brasil, tem-se, oficialmente, a utilização de duas dessa: a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e a Língua Portuguesa.No entanto,além de existirem diversas línguas não reconhecidas pelos Academia Brasileira de Letras no país, como algumas indígenas, há o preconceito com as diversas variações linguísticas derivadas da Língua Portuguesa. É necessário, nesse sentido, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.
Sob esse viés, pode-se apontar,segundo a etimologia da palavra “preconceito” (-pre: significado de anterioridade; -conceito: concepção), que a causa do preconceito linguístico é a desinformação acerca da língua, o que faz diversas pessoas considerarem como parte dessa apenas a norma culta.Nesse contexto, as variações linguísticas diacrônicas, diastráticas,diafásica e diatópica deixam de ser inclusas como efetivas para a comunicação dentro da Língua Portuguesa.Com isso, situações da linguagem como essas, que são pouco prestigiadas pela gramática normativa,passa a ser discriminadas.
Convém ressaltar,também,a ideia do sociólogo francês Pierre Bordeau sobre aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia direta não dever ser convertido em mecanismo de opressão simbólico,já que, as línguas, por terem função comunicativa,são um artefato da democracia. Isso, no Brasil,é estancado pelo preconceito. Esse fato é percebido quando as pessoas que possuem acesso a educação de qualidade - o que, no país, são majoritariamente as pessoas das classes altas- e,portanto, possuem maior contato com a norma culta, acabam por prestigiá-la e impô-la a todos. Por conseguinte, diversos cidadãos, por não utilizarem a gramática normativa,acabam deslocados de diversas atividades.Exemplo disso é a utilização apenas de dialetos paulistanos e cariocas nos jornais televisivos nacionais, o que ressalta o preconceito com as diversas variações regionais presentes no Brasil.
Diante disso,torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes.Cabe,portanto,respectivamente, ao Ministério da Educação a inclusão n BNCC (Base Nacional Comum Curricular) da obrigatoriedade do ensino escolar sobre as variações linguísticas pertencerem igualitariamente à Língua Portuguesa;e ao Ministério da Cidadania a criação de campanhas na internet, por meio de fotos informativas, que ressaltem a existência do preconceito linguístico, a fim de que essa informação permita a desconstrução desse paradigma. Assim, o Brasil será um país que preza pela pluralidade e pela liberdade linguístico-democrática.