Preconceito Linguístico

Enviada em 14/06/2020

Oswald de Andrade, grande escritor do século XIX, defende em seu poema “Pronominais” que o bom cidadão brasileiro é aquele que fala para ser entendido. Todavia, muitos indivíduos insistem em impor uma única variante linguística, fator que gera preconceito, uma vez que desconsidera questões regionais e socioeconômicas.

Em primeira análise, é importante destacar a incoerência da discriminação tendo em vista a colonização híbrida do Brasil e o modo como a miscigenação dos diversos povos influenciou a identidade cultural de cada região do país. No entanto, tal fato parece ser irrelevante à medida que sotaques e expressões típicas de áreas mais pobres, como o Nordeste, sofrem aversão. Prova disso é o youtuber piauiense Whinderson Nunes que, em um de seus vídeos, fala sobre o preconceito sofrido e a surpresa da mídia diante do seu sucesso. Como se não fosse possível um nordestino ter tantos seguidores.

Ademais, a desigualdade social favorece variações mais informais da língua, ao passo que dificulta o acesso à educação e à cultura. Ainda assim, o grau de instrução não deve ser motivo para rejeição, pois a maneira como as pessoas se comunicam não depende da gramática normativa, mas sim do fato de serem ou não compreendidas. Nesse sentido, de acordo com a série “A Língua Que A Gente Fala”, não existe uma forma “certa” ou “errada” de falar, apenas um modo mais adequado de acordo com o contexto.

Dessa forma, a língua é mutável e as particularidades de cada umas de suas variações precisam ser respeitadas. Para tanto, o Ministério da Educação deve, por meio da reformulação da matriz curricular escolar, acrescentar aulas interdisciplinares envolvendo as aéreas de humanas e linguagens. O fito de tal ação é debater o processo de formação de cada uma das variantes linguísticas presentes no Brasil, partindo dos princípios éticos, culturais e históricos, com a finalidade de formar cidadãos tolerantes e inclusivos.