Preconceito Linguístico

Enviada em 02/07/2020

A Constituição de 1988 -em seu artigo 5- declara que todos os cidadãos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, nota-se que na sociedade hodierna esse direito não é um costume, visto que muitos ainda sofrem preconceito. No que tange a língua portuguesa, esse preconceito possui os seus motivos embasados no elitismo educacional e na perpetuação de estereótipos. Nesse contexto, é valido analisar essas causas e suas consequências.

Em uma primeira análise, é nítido que o Brasil apresenta diversas classes sociais e, desse modo, exibe diferentes níveis de ensino. De acordo com Anísio Teixeira, o ensino elitista é negativo, pois poucos têm direito a uma educação de qualidade. Diante dessa perspectiva, é válido assimilar que a excelência está ligada com o patrimônio de dinheiro, gerando assim, variação nos níveis de qualidade escolar e, logo, diferenciação no modo de falar e escrever. Em virtude disso, nasce o preconceito, no qual as pessoas com um ensino e uma norma culta da linguagem mais avançada cria um prejulgamento, supondo que as pessoas não falantes da norma culta são seres estúpidos. Ademais, esse preconceito é encontrado no mercado de trabalho, em que as empresas descartam as pessoas sem excelência na escrita, dando mais oportunidade aos que já a possuem.

Outrossim, no cotidiano é corriqueiro ver as grandes mídias perpetuarem os estereótipos da linguagem. Na novela “Êta mundo bom!”, da rede de televisão Globo, é retratado um cenário caipira e estereotipado, no qual a exagero de sotaque é evidente. Assim como na dramaturgia, a sociedade vê esse grupo regional e seu falar de modo ignorante e estúpido, julgando ele como sinal de burrice e não como característica cultural diferenciada -como deveria ser- e em suma, essa imagem concebida agrega na perpetuação do preconceito, ensinado e apresentando aos telespectadores a característica regional como algo completamente errado e vergonhoso, generalizando e sequenciando o preconceito.

Dessarte, são necessárias medidas contra o prejulgamento linguístico. Sob esse viés, é mister ao Governo (por meio do Ministério de Educação) criar uma grade curricular que seja mais aprofundada na língua portuguesa e voltada ao mercado de trabalho, utilizando materiais didáticos inspirados em escolas com alta média, com o fito de proporcionar uma melhor aprendizagem e, logo, mais igualdade de ensino público e privado. Além disso,  cabe também ao Governo, com apoio das Grandes Mídias, criar projetos, como propagandas, que busquem normalizar os diferentes falares do Brasil. Em suma, essas ações vão contribuir contra o preconceito e, assim, fazer real o artigo quinto da Constituição.