Preconceito Linguístico

Enviada em 13/07/2020

Segundo a pensadora Hannah Arendt, a diversidade é inerente à condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados a essa. Entretanto, ao analisarmos a sociedade brasileira, a discriminação que se estabelece contra os falantes das diferentes variantes da língua evidencia o quanto vivemos em uma sociedade intransigente. Visto que, tal preconceito desconsidera todos os contextos sociais, econômicos ou regionais, comprovando que o país não age consoante ao pensamento da filósofa.

Antes de tudo, é importante destacar que existe uma alta versatilidade da língua portuguesa, o que contribui para a sua multiplicidade de uso no cotidiano. Contudo, por falta de uma educação de qualidade ou mesmo de oportunidade de estudo, os indivíduos não aproveitam essa versatilidade a seu favor, fato que é amplificado pelo desconhecimento da norma-padrão, que tende a ser mais valorizada na sociedade. Diante disso, as chances de passar em um vestibular ou mesmo de conseguir um emprego são reduzidas, colocando tais indivíduos à margem da sociedade, e, como consequência, se tornam vítimas de preconceito por “falarem errado”.

Ademais, a ausência de incentivos do governo com o intuito de proporcionar a valorização do entendimento da linguagem e de suas variantes é um agravante para esse inaceitável preconceito. Posto que, pelo fato das pessoas não compreenderem que para cada contexto existe uma variação da língua adequada para essa situação, cometem o erro de julgar certo ou errado determinado indivíduo pela maneira como esse se comunica.

Diante do exposto, o ministério da educação deve investir para erradicar o preconceito linguístico no país. Isso deve ocorrer por meio da ampliação da oferta de vagas nas escolas, valorização do ensino das variantes do idioma no currículo escolar, além de campanhas para informar a população sobre tais aplicações linguísticas, porquanto, agindo assim, essa aversão linguística contra falantes seria erradicada e os indivíduos respeitados.