Preconceito Linguístico
Enviada em 31/07/2020
A Semana da Arte Moderna de 1922 valorizou a linguagem coloquial, isenta de regras gramaticais. Embora tal linguajar tenha adentrado no mundo artístico, o preconceito linguístico ainda é vivenciado pelos brasileiros, sobretudo em virtude da estigmatização pela escola e, por conseguinte, a segregação social é ocasionada. Diante disso, faz-se fulcral compreender os primórdios desse obstáculo para, assim, atenuar-se a intolerância com as divergências da língua oral.
A priori, é válido apontar o ambiente escolar como um elemento propulsor do óbice. Durante a colonização do Brasil, os colonizadores europeus foram responsáveis pela imposição do falar hegemônico sobre o Tupi dos povos indígenas e sobre os dialetos africanos. Analogamente, o sistema educacional tradicional perpetua, constantemente, a ideologia do “falar errado” a partir da ausência de aulas com tema variações linguísticas locais. Logo, contribui-se para a concepção de que a comunicação deve ser sempre realizada na norma padrão.
Outrossim, é crucial ressaltar a acentuação da desigualdade social como uma das resultantes do contexto. Nesse contexto, consoante o conceito “Microfísica do poder”, do escritor Michel Foucault, existem diferentes mecanismos de opressão e repressão. Assim, língua é um tipo de dominação, pois quando se ridiculariza um falante a partir da sua maneira de se expressar, humilha-se todo um grupo social. Afinal, como Marcos Bagno afirmou, “Língua é poder, e todo preconceito linguístico é no fundo um preconceito social”.
Destarte, é necessário que a sociedade obtenha mecanismos a fim de atenuar o preconceito linguístico. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação a cobrança de trabalhos mais intensos e reflexivos com o conteúdo de variações linguísticas. Isso por intermédio da formação qualificada e atualizada do professor em conjunto com projetos pedagógicos mais semelhantes a realidade da língua oral, a fim de que mitigue-se o estereótipo de que “falar certo” refere-se à gramática normativa. Somente dessa maneira o Brasil prosseguirá com o trabalho dos artistas de 1922.