Preconceito Linguístico

Enviada em 14/07/2020

Sabe-se que, Luiz Mauricio dos Santos (Lulu Santos) através da canção “Tempos Modernos”, idealiza uma sociedade moderna, sem muros de hipocrisia, mais justa e coesa. No entanto, o que é visto na atualidade é antagônico à reflexão do produtor musical, visto que o preconceito linguístico no Brasil apresenta entraves, os quais impedem a concretização das ideias impostas por Santos. Dessa forma fatores como a segregação social pela variação na fala e também a supremacia da fala exercida em partes do Brasil contribuem para a propagação desse problema no âmbito nacional.

A principio cabe ressaltar que a língua sofre transformações ao longo do tempo, ela é extremamente mutável. Logo, não se espera que uma pessoa escreva em suas redes sociais usando a mesma linguagem que um advogado em um tribunal, mesmo que usando a língua portuguesa. Toda via as diferenças na escrita e oralidade torna-se motivo para a ocorrência do preconceito linguístico, pois tal comportamento e visto como ignorância do falante. Nota-se ainda, que por conta do fato da língua ser viva, ocorrem variações de acordo com a região, faixa etária e fatores econômicos, evidencia que o preconceito sucede por não haver a aceitação de um comportamento diferente do seu.

A partir disso tem-se que, o escritor brasileiro Marcos Bagno considera a utilização da língua como instrumento de perpetuação do status e manutenção de privilégios. Apoderar-se da fala para si, é algo feito desde os primórdios de nossa nação, com os portugueses que apagaram varias culturas e impuseram a sua linguagem. Essas relações que perduram e claramente observadas na classe dominante, que è basicamente branca e possui uma comunicação aos moldes do estimado correto. A proporção da segregação e resultado, pois aqueles que detêm maior acesso ao conhecimento possuem uma linguagem mais formal e as pessoas que dialogam de forma menos culta são reconhecidas como inferiores.

Destarte, fica claro que os resultados de tais comportamentos repulsivos robustecem as desigualdades já existentes e enfraquecem a pluralidade. Aguarda-se, portanto que as redes de ensino se comprometam em educar sem boicotar as particularidades das falas regionais, ensinando a norma sem reprimir as demais falas. O Ministério da Cultura, em parceria com a mídia devem elaborar projetos que exaltem as individualidades linguísticas regionais e sejam transmitidos em rede nacional e na internet a fim de obter um maior alcance. Por intermédio de uma abordagem leve e animada, para despertar a atenção dos jovens a respeito da importância da pluralidade regional e sanar esse preconceito.