Preconceito Linguístico
Enviada em 17/07/2020
Há, no mundo hodierno, um comportamento que vai de encontro com a globalização e pluralidade do ser humano. Tal comportamento é o preconceito, que se apresenta de variadas formas. Contudo, um perigoso e pouco comentado é o preconceito linguístico. Seu debate se faz necessário para compreender o porquê ele é perigoso e como sanar tal situação.
Mormente, cabe destacar que o Brasil é um país de dimensões continentais. Por isso, e por a língua ter carga histórica, é natural que diferentes regiões do país falem de formem singular e com suas próprias gírias e vícios linguísticos. Sendo assim, é totalmente descabido apontar que um indivíduo de determinada região fale “errado”. Tal atitude pode ser explicada por uma afirmação do filósofo francês Voltaire, que diz “preconceito é opinião sem conhecimento”. Dessa forma, a fim de que o preconceito seja extinto é importante conhecer, ao menos, um pouco das histórias dos lugares para entendermos um pouco da sua língua e sotaque.
Em segundo lugar, é importante salientar que além de carga histórica a língua também é responsável por gerar identidade. Destarte, diferentes grupos sociais e etários usam diferentes jargões e gírias para se comunicarem entre si. Tal variação ocorre por diversos motivos, seja por diferenças na escolarização, ocupação trabalhista diferentes ou mesmo opção sexual pode influenciar no repertório falado. E haja vista que a finalidade maior da língua é a comunicação, a norma culta aprendida na escola nem sempre se faz presente na fala sem comprometer o entendimento e o objetivo da fala - ser entendida pelo receptor.
Assim exposto, fica evidente providencias precisam ser tomadas a fim de sanar algo que já não deveria ser mais pauta, o preconceito linguístico. Para isso, cabe ao Governo Federal, por meio de campanhas nos meios de comunicação disseminarem prévias análises históricas que expliquem a diferença entre as falas regionais do país e reforcem que nenhuma é considerada errada, apenas diferente uma da outra. Também é importante que haja há conscientização, de mesmo modo nos meios de comunicação, de que a fala depende de vários fatores e variam de pessoa para pessoa. Contudo, o mais importante é estabelecer a comunicação completa independente de possíveis erros no discurso. O respeito ao outro deve acontecer também na fala.