Preconceito Linguístico

Enviada em 18/07/2020

O Brasil, por apresentar uma extensa dimensão territorial, a qual foi habitada por diferentes povos, nativos e imigrantes, constitui-se de variadas culturas e, por isso, modos distintos de falas e comportamentos. No entanto, tal característica, que torna o país único, ao contrário de ser prestigiada pela população brasileira, traz como consequência danosa o preconceito linguístico, que afeta diretamente grande parcela da sociedade.

Em primeira análise, é necessário destacar que de acordo com o linguista e professor Marcos Bagno, a utilização do conhecimento da gramática normativa tem sido uma ferramenta de distinção e dominação da Língua Portuguesa por meio daqueles que são considerados cultos. A partir dessa ótica, percebe-se que indivíduos, os quais não se encaixam no determinado padrão imposto, são menosprezados e excluídos pelo restante da população. Tem-se como exemplo dessa proposição os cidadãos com baixo nível de escolaridade e os analfabetos, criticados por seus modos de falar interpretados como incoerentes.

Em segunda análise, precisa-se salientar que o Brasil teve a participação de inúmeros povos estrangeiros, dentre eles os europeus e africanos, para a formação de sua identidade cultural. Entretanto, é notável a valorização apenas da norma culta da Língua Portuguesa, fator que acarreta e intensifica o preconceito linguístico. Esse problema ocorre desde o período colonial, quando o governo proibiu o uso de línguas nativas nas escolas e, consequentemente, na colônia. Atualmente, tal prática se reflete, uma vez que nas instituições educacionais do país são ensinadas, predominantemente, regras sólidas acerca do padrão de língua escolhido, que excluem outras variantes linguísticas.

Depreende-se, portanto que medidas intervencionais são necessárias para que ocorra a eliminação do preconceito linguístico em todo o território nacional. Para isso, é essencial que o Ministério da Educação, em consonância com as Secretarias de Educação, enquanto formadoras cidadãs, promovam e expandam tais discussões. Logo, devem reformular a grade acadêmica das disciplinas e incluir o estudo das variantes da língua, por meio de literaturas regionais e atividades extracurriculares, como palestras com indivíduos de diversas regiões do Brasil, os quais abordem sobre a normalidade das abundantes formas de falar, a fim de que um grande número da população aprenda a respeitar as diferenças.