Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
A língua portuguesa e suas variações são importantes mecanismos de manifestação da identidade cultural da sociedade brasileira. Assim sendo, o preconceito linguístico representa um grande risco ao legado cultural do país, tendo em vista que essa prática pode representar a desigualdade e o preconceito presente na nação. Além disso, a elitização da língua contribui significativamente para o cenário descrito acima, o que compromete o devido exercício da cidadania no Brasil, sendo dever do Estado reverter esse panorama que prejudica a qualidade de vida dos brasileiros.
Primeiramente, cabe salientar que, durante o processo de colonização do território brasileiro, os portugueses buscaram de diversas formas eliminar os mais diversos idiomas dos nativos que até então habitavam onde hoje se conhece como Brasil. Dessa maneira, até os dias atuais, essa prática ainda se faz presente, visto que, por vezes, diversos grupos sociais que falam variante do idioma português são alvo de preconceito ou até mesmo de algum tipo de discriminação, o que pode colocar em risco a manutenção de certos tipos de cultura e tradição.
Ademais, segundo o escritor Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito linguístico”," As elites controlam o uso da língua, de modo a oprimir as classes sociais inferiores e menos favorecidas em prol de seus interesses". Logo, há de se entender que essa realidade compromete o pleno exercício da cidadania, sendo que o cidadão de baixa renda e que fala uma variante do português culto pode ser excluído do convívio com os demais brasileiros, o que configura um modo de exclusão social e contribui para a segregação sociocultural no Brasil.
Portanto, é dever do Estado desenvolver mecanismos para reverter esse panorama. Assim sendo, o Ministério da Educação deve promover nas escolas do país campanhas de conscientização a respeito do preconceito linguístico, por meio da oferta de palestras e livros que mostrem as variações da língua portuguesa e como elas fazem parte de uma identidade cultural. Por conseguinte, os brasileiros poderão sair da escola com a noção de que não há um português mais correto do que outro, para que, assim, o respeito às diversas variações do idioma seja implementado e o pleno exercício da cidadania seja alcançado.