Preconceito Linguístico
Enviada em 27/07/2020
Historicamente, o processo de colonização do Brasil significou uma mesclagem entre inúmeras culturas, fato esse que resultou no surgimento de diversas variantes linguísticas. Entretanto, na hodierna sociedade, esse fator apresenta-se de modo negativa e, assim, contribui para o aumento do preconceito linguístico. Nesse contexto, o papel controverso exercido pelas escolas e, também, pelo Governo, reforça a ideia de existência de uma única língua correta e, dessa forma, problematiza ainda mais essa situação. Consequentemente, esse quadro corrobora o direito a liberdade de expressão e, com isso, a língua é usada como aspecto segregador.
É pertinente abordar, a priori, que a defasagem do setor educacional tem provocado uma distorção do ensino, haja vista que esses ambientes atuam como agente discriminante. Uma vez que as variações da língua portuguesa são tratadas como erradas e, dessarte, julga-se somente a norma-padrão como forma correta de uso da linguagem. Contudo, segundo o linguista Marcos Bagno, em sua obra “Preconceito linguístico: o que é, como se faz”, não existe uma forma “correta” ou errada” de emprego da língua e, ao mesmo tempo, ratifica que esse preconceito auxilia na prática da exclusão social. Ademais, essa situação torna-se um propulsor de paradigmas sociais, nos quais a população é instruída a marginalizar seus semelhantes devido ao seu modo de falar.
Por conseguinte, é notório que a inoperância estatal compromete a integridade do cidadão brasileiro, posto que a ausência de ações afirmativas impossibilita a finidade desse problema. Consoante a isso, elucida-se que essa discriminação favorece o surgimento de novas formas de preconceito como o regional e, também, econômico, destarte, inflige a dignidade dos indivíduos e a liberdade de expressão presente na Carta Magna de 1988, fato decorrente da obstrução imposta sobre seu dialeto. Dessa maneira, exemplifica-se que a diversidade da língua no espectro social do Brasil apresenta um contexto de rejeição e, com isso, destoa qualquer tentativa de resolução desse empecilho.
Depreende-se, portanto, que a presença do preconceito linguístico decorre da inversão do papel das instituições de ensino e, também, do desinteresse do Governo. Nesse sentido, o Ministério da Educação, por meio de maiores investimentos financeiros, deve promover uma reestruturação da Base Nacional Comum Curricular, com intuito de fornecer subsídio as escolas para trabalharem com a diversidade dialética presente no País, tudo isso, através da capacitação dos profissionais e, assim, concretizar o respeito mútuo. Do mesmo modo, a Mídia, mediante seu poder de proliferação, procure disseminar conteúdos que respalde essa pluralidade, a fim de conscientizar a população, bem como complementar sua formação pessoal acerca das diferentes culturas linguísticas que compõem o Brasil.