Preconceito Linguístico

Enviada em 29/07/2020

Desde a chegada dos portugueses às terras das palmeiras, a língua foi utilizada como meio de repressão dos povos que aqui viviam. Ainda no século XXI, o preconceito linguístico relacionado às diferentes variantes da língua portuguesa é um problema. Nesse sentido, é necessário discutir o legado histórico desse imbróglio, bem como a sua forma de dominação.

Em primeira análise, cabe ressaltar a herança colonial desse impasse. Sob esse prisma, segundo o sociólogo Norbert Elias, todo processo cultural tem raízes histórias. Nesse viés, com a chegada dos colonizadores, além do etnocídio, o preconceito e a repressão dos diferentes dialetos e línguas indígenas tornaram-se recorrentes. Atualmente, o legado desse processo ainda se encontra presente no imaginário brasileiro, como representado no icônico personagem Cebolinha, de Maurício de Souza, que ainda sofre discriminação por pronunciar as palavras de maneira diferente.

Ademais, é fundamental destacar o processo de dominação nessa questão. Nesse aspecto, o sociólogo Foucault demonstra a microesfera do poder como a manifestação do poder em todas as esferas da sociedade. Dessa forma, a imposição de uma forma específica de se expressar figura como uma relação de poder, na qual a classe dominante, normalmente, mais escolarizada, exerce coerção sobre as diferentes variantes, o que culmina no alarmante preconceito linguístico, que perdura desde o achamento da terra dos sabiás.

Diante disso, é imprescindível atenuar esse tipo de violência simbólica. Portanto, com vistas a diminuir a recorrência do preconceito linguístico, as instituições educativas, já que atuam como formadoras de caráter, devem adicionar ao conteúdo de língua portuguesa a variação regional e diferentes dialetos presentes no país. Isso pode se dar por meio da contratação de especialistas na área. Assim, espera-se que a herança histórica desse obstáculo seja problematizada e as discriminações dos Cebolinhas brasileiros, extintas.