Preconceito Linguístico
Enviada em 30/07/2020
A semana da arte moderna de 1922 ficou marcada pelo abandono dos modelos tradicionais parnasianos e a valorização de aspectos nacionais. Em poemas e prosas, a norma culta foi deixada de lado, dando espaço ao português falado e suas variações. A semana de 22 não foi bem aceita pelas elites por romper com padrões estéticos e linguísticos. É possível evidenciar que o preconceito linguístico ainda perdura nos dias atuais,seja pela elitização, seja pela ignorância social.
Primeiramente, é fundamental ressaltar que o preconceito linguístico possui raízes históricas de uma sociedade discriminatória e etilista. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, as classes sociais mais favorecidas carregam consigo uma herança chamada de Capital Cultural. Este último serviria como um instrumento de dominação social e acentuação de desigualdades, visto que as classes menos favorecidas não possuiriam a mesma herança. Atualmente é possível notar que a língua se apresenta como um desses instrumentos de poder, tendo em vista que há uma valorização de determinadas variantes e desprezo de outras. Por exemplo: Quando mais culto o indivíduo se apresenta, maior sua ascensão social e profissional e quanto mais distante da formalidade, menor é o seu prestígio.
Ademais, o preconceito linguístico provoca diversas consequências para as vítimas, tanto no âmbito profissional, quanto social. A comparação com a norma formal gerou uma espécie de critérios, como se existisse apenas um modo de falar e as demais fossem erradas. A partir disso, a sociedade faz julgamentos acerca das variantes linguísticas e usam como parâmetro para comparar com o padrão. Todo esse ciclo acarreta no constrangimento desses indivíduos que possuem falas regionais e populares. Além de que muitas dessas variações representam uma cultura, e julgá-las é uma forma de repressão contra toda uma sociedade que possui o mesmo estilo de vida.
Infere-se, portanto, que o preconceito linguístico se apresenta como uma problemática nos dias atuais. É necessário que o Ministério da Educação promova em escolas, projetos que abordem as diversas regiões brasileiras e suas variantes. Como feiras de regionalidade e incentivo de obras modernistas que quebram com o padrão, a fim de diminuir o preconceito linguístico e se valorizar as ricas variações e suas respectivas culturas.