Preconceito Linguístico

Enviada em 06/08/2020

No livro “Laranja Mecânica”, o autor Anthony Burgess cria um dialeto próprio utilizado pelos jovens de rua, o “Nadsat”, que causa estranhamento à população e também dificulta a leitura. Portanto, percebe-se um preconceito linguístico, tanto por parte dos personagens quanto pelo leitor que, ao se deparar com palavras diferentes, pode se desanimar com a história. Desse modo, a exaltação da norma culta da língua e a ausência de um sistema democratizado de educação fazem com que muitos brasileiros sejam vítimas desse preconceito.

Primeiramente, é importante ressaltar que a função principal da linguagem é auxiliar na comunicação entre seus falantes, podendo assumir diversas formas. De acordo com o linguista Marcos Bagno, “a gramática normativa é a tentativa de descrever apenas uma parcela mais visível da língua, a chamada norma culta”. Logo, ela não é a única maneira de se falar um idioma, apesar de ser a mais bem aceita socialmente.

Além disso, uma grande parte dos brasileiros não domina a gramática portuguesa devido ao precário sistema de educação pública vigente no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 7% da população é analfabeta e apenas 48% terminou o ensino médio. Dessa forma, indivíduos privilegiados tiveram condições para pagar por um ensino de qualidade enquanto os mais pobres são privados desse direito.

Sendo assim, é evidente a necessidade de combater o preconceito linguístico. Para isso, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Educação (MEC), inserir no currículo escolar aulas para debater a importância dos dialetos para o idioma, e ainda convocar a participação dos pais e responsáveis nessa discussão, tendo por objetivo garantir uma maior inclusão linguística na sociedade.