Preconceito Linguístico

Enviada em 07/08/2020

Historicamente, as línguas tiveram diferentes raízes de segmento, com o Português parte do latim vulgar, dialeto marginalizado na Roma Antiga em detrimento da prevalência do latim culto - praticado pelos literários e pelo clero. No cenário brasileiro atual, em função de sua índole segregacionista, denota-se a presença do preconceito linguístico. Consumado, tal estorvo persiste influenciado pela intolerância e também pela desinformação.

Em primeira análise, a austeridade individual constrói barreiras para a resolução do empecilho. Para mais, sob a maestria dramaturga de Cervantes, o escritor Ariano Suassuna reflete que “o português é a língua mais sonora e musical do mundo”, e que “é por isso que devemos respeitá-la e fazer dela uma fonte de beleza”. À vista disso, é nítida a ignorância frente à desclassificação de parte dos elementos que constituem uma língua oculta e dificulta a comunicação entre as classes sociais em razão da imposição de uma forma superior de falar e escrever. Por conseguinte, constata-se o nascimento de abismo moldado para separar as pessoas e estimular a estadia do preconceito e da intolerância dialética.

Outrossim, a insciência ante o problema mostra-se como uma viagem com destino à ampliação da desigualdade social. Segundo a Constituição Federal, é livre a manifestação do pensamento, da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura. Por mais que o Estado assegure a universalização da liberdade de expressão, a escassez de diálogos informativos educacionais empreendem que a parcela da população afetada pelo descaso seja despejada da sociedade, o que incapacita o desenvolvimento pessoal e profissional dessas pessoas.

Assim, urge ao Ministério da Educação - a partir de verbas públicas - criar, mensalmente, eventos que abordem o eixo temático, em forma de palestras e atividades interativas, de forma a evidenciar o preconceito linguístico, suas causas, efeitos e maneiras de vencê-lo, para atenuar o empecilho, quiçá erradicá-lo, e podermos conviver em harmonia arquitetando pontes sobre os algares de antipatia que perduram no Brasil.