Preconceito Linguístico

Enviada em 07/08/2020

No seriado de televisão “El Chavo”, o protagonista é frequentemente reprimido por sua maneira de falar. Fora da ficção, na realidade brasileira, o preconceito linguístico persiste, de forma a se caracterizar pelo juízo de reprovação às variedades de menor prestígio social. Com efeito, cabe analisar as causas dessa problemática, a qual subsiste influenciada pelo desrespeito aos valores culturais e também pela ausência do Estado.

Em primeiro plano, a desvalorização de diferentes culturas é um empecilho. De acordo com Eving Golfman, “Os indivíduos estigmatizados são aqueles que possuem uma característica fora do padrão.” Diante disso, é válida a análise de que o Brasil é um país onde o acesso à educação de qualidade e, como corolário, o domínio da língua portuguesa, é algo que se limita a poucos e, aqueles que não detêm a forma padrão, dificilmente atingirão as melhores vagas, seja em postos de trabalho, seja em uma universidade. Desse modo, é comum a reprovação das variedades linguísticas de vários grupos sociais pela camada de maior valor social.

Em segunda análise, é fundamental observar a omissão estatal como fator dificultador. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir o bem-estar comum. Contudo, devido à falta de atuação dos escalões de governança, o preconceito linguístico impede o pleno exercício da cidadania por significativa parcela da população, notadamente em função da segregação dos diferentes grupos sociais - tais como caipiras e nordestinos - pela elite. Dessa maneira, a estabilidade social é mitigada e garantidas básicas, cerceadas.

Assim, o Governo Federal - em parceira com o Ministério da Educação - deve desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com vítimas do preconceito linguístico e com profissionais especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema. Além disso, nesses eventos, é importante discutir a compreensão dos eventos históricos no combate ao problema, a fim de erradicá-lo.