Preconceito Linguístico

Enviada em 02/10/2020

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual essa é caracterizada pela ausência de conflitos. Contudo, ao observar a realidade, nota-se que o exposto de More apresenta um equívoco, uma vez que o preconceito linguístico coíbe a conclusão do plano do autor. Dessa maneira, em razão de uma lacuna escolar e de um silenciamento midiático, emerge um conflito que necessita de urgente resolução.

Primordialmente, faz-se necessário apontar base educacional  escolar como um formentador da questão. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna no âmbito escolar. No que tange ao preconceito linguístico, verifica-se uma latente influência dessa causa, pois a escola não tem cumprido com o seu papel no sentido de prevenir e reverter o problema, visto que não tem apresentado esse conteúdo às salas de aula. Desse modo, a educação precária perpetua esse preconceito na conjuntura social brasileira.

Ademais, a problemática encontra forma de expansão no silenciamento midiático. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser mecanismo de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão. Nesse viés, é possível notar que a mídia, geralmente, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da conjuntura social, colabora com a propagação do problema, visto que a omissão dos meios de comunicação acerca do preconceito linguístico ocasiona a falta de conhecimento da sociedade a respeito dessa problemática, dificultando sua erradicação. Desse modo, a mídia perpetua essa triste realidade.

Portanto, é necessário que o Estado tome providências para reduzir a situação atual. Para que seja reduzido o preconceito linguístico, é necessário que o Ministério da Educação qualifique profissionais para apresentar palestras e aulas acerca da pluralidade linguística brasileira, por meio de um projeto à ser entregue a Câmara dos Deputados. Nele deve constar a necessidade de apresentar desde cedo que norma culta é só uma parte da língua portuguesa, a fim de promover a conscientização de uma sociedade que respeite todos os tipos de linguagem. Assim, a coletividade alcançará a Utopia de More.