Preconceito Linguístico

Enviada em 20/08/2020

O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata o cotidiano de uma família de retirantes fugindo da seca do Nordeste. Vale ressaltar, que Fabiano, chefe da família, sofre diversas dificuldades e acaba se condenando por não ter domínio da língua padrão. Fora da obra, é notório que indivíduos como Fabiano sofrem preconceito linguístico na sociedade atual. Dessa maneira, a problemática é influenciada pelas raízes históricas brasileiras e pelo desconhecimento populacional para com a língua.

Em primeiro lugar, convém analisar que o Brasil é um país extremamente miscigenado, com influencia de povos africanos, nativos e europeus. Entretanto, por mais que essa diversidade aconteça, ainda ocorre a valorização da linguagem culta o que, por vezes, ocasiona o preconceito linguístico. É notório que esse problema se inicia desde o período colonial, já que os Jesuítas, que tinham como objetivo catequizar os índios, buscavam minimizar o uso do Tupi Guarani  e ensinar a sua própria língua. Essa prática pode ser vista até hoje, já que a aplicação autoritária e intolerante da gramática normativa gera o preconceito linguístico e exclui os variantes da língua.

Outrossim, é importante ressaltar que muitos indivíduos desconhecem que a língua é viva e por isso acabam sendo preconceituosos. De acordo com o filósofo e linguista Saussure, a fala não pode ser entendida como imutável e fixa, já que é viva e está em constante transformação a partir das interações sociais. Por isso, ao contrário de criticar e condenar a fala diferenciada, é necessário praticar a alteridade cultural e entender que essa variação é enriquecedora e deve ser valorizada.

Portanto, preconceito linguístico é retirar o direito de fala de outros indivíduos, vale enfatizar que ocorre por conta da influencia do passado brasileiro e da alienação da sociedade. Dessa forma, o Ministério da Educação (MEC) unido ao Poder Legislativo, por meio da solicitação de um projeto de lei a Câmara dos Deputados, deve pedir que o preconceito linguístico se torne um crime, para que os acusados sejam devidamente punidos e que nenhum tipo de censura das vítimas aconteça. Além disso o MEC, que tem como objetivo a facilitação do acesso a educação para todos, deve incluir os variantes da língua no currículo escolar e buscar aplicar palestras com profissionais que incentivem a inclusão e o respeito de todos os tipos de língua.