Preconceito Linguístico
Enviada em 13/08/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada pela ONU em 1948 - garante a todos os indivíduos o direito à liberdade de expressão e ao bem-estar social. Todavia, na sociedade brasileira hodierna, o preconceito linguístico representa uma mazela nesses direitos. Pode-se dizer, portanto, que a aversão aos sotaques ou regionalismos e a marginalização social são os principais responsáveis pelo quadro.
Em primeiro plano, deve-se analisar como a antipatia aos regionalismos fomenta essa questão. A série “Anne With An E”, da Netflix, retrata uma personagem indígena, Kakwet, que foi vítima de preconceito por causa da língua e cultura indígena. Fora da ficção, nota-se a valorização exacerbada da norma padrão da língua portuguesa, tornando-a homogênea ao depreciar as suas variedades, circunstância que acentua a intolerância existente. Torna-se clara - por dedução analítica - a potencial relação negativa entre o preconceito linguístico e a atividade comunicativa.
Outrossim, a exclusão social também pode ser apontada como responsável pelo problema. Consoante à filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduos devem estar habituados a conviver com o diferente. Entretanto, percebe-se um preconceito perante pessoas de áreas mais pobres por não seguirem à risca a gramática normativa, corroborando, muitas vezes, com a exclusão social. É evidente que esse cenário coloca em risco as variadas formas de falar, logo, deve ser combatido.
Urge, pois, que medidas para mitigar o problema sejam adotadas no país. Para tanto, o Ministério da Educação - em parceria com as instituições de ensino - deve realizar palestras, exposições e mostras culturais semanalmente, mediante a participação de profissionais capacitados e especialistas, com o intuito de orientar os alunos a lidarem com as multiplicidades da fala e a respeitar as variações linguísticas. Assim, será possível extinguir o preconceito, pois como escreveu Nelson Mandela: “A educação é arma mais poderosa para mudar o mundo”.