Preconceito Linguístico

Enviada em 19/08/2020

No livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma”,redigido por Lima Barreto,grande escritor do pré-modernismo brasileiro,narra-se a história de um funcionário público ultranacionalista,na qual Policarpo era preconceituoso a qualquer idioma que não fosse o brasileiro,defendendo a permuta do português pelo tupi-guarani.Nesse sentido,nota-se que,desde a formação da sociedade civil,coexistem formas de discriminação,sobretudo no que tange o preconceito linguístico,ora pela negligência da justiça,ora pela formação de uma “bolha social”.

Em primeira análise,é importante destacar que,não sendo considerada uma violência física,a intolerância às diferentes manifestações linguísticas presentes em uma nação é negligenciada pelos poderes governamentais.Nesse sentido,cabe ressaltar a teoria de Pierre Bourdieu,sociólogo francês,na qual aponta-se para uma verdade incontestável de que,em contraponto às características físicas e rápidas da violência comum,a coerção psicossocial é a marca da violência simbólica,atingindo não só as partes externas,por meio dos reflexos psicológicos,mas também as regiões internas,interferindo negativamente em todas ações do indivíduo.

Consequentemente,em uma sociedade permeada por desigualdades e concomitante a diversas negligências estatais,urge uma bolha social excludente e seletiva,na qual indivíduos adeptos à linguagem formal segregam falantes da forma coloquial ou regional.Sob esse ponto de vista,destaca-se a produção de Jason Lima,escritor brasileiro,na qual é afirmado que,semelhante ao amensalismo,relação ecológica interespecífica desarmônica,vive-se numa sociedade em que a classe dominante,para manter seu poder,impede o desenvolvimento de outra menos favorecida,inibindo a garantia de seus direitos.Dessarte,em uma conjuntura social que almeja combater grandezas como essa,faz-se necessário não apenas debates frívolos,mas ações factíveis que possam,direta ou indiretamente,amenizar a problemática em questão.

Portanto,faz-se mister medidas assertivas que combatam tal questão.Logo,o Governo Federal,por intermédio do Ministério da Justiça,deve tratar a questão do preconceito linguístico como crime,criando leis punitivas rigorosas aos processos de discriminação cultural,por meio de projeto de lei enviado à Câmara dos Deputados,especificando tal ato como crime inafiançável aos preconceituosos que o repetirem mais de três vezes,com o fito de minorar os efeitos negativos da segregação linguística.Por fim,espera-se que assim,atentando-se às indiligências sociais,minimizar-se-á o número de casos preconceituosos na nação brasileira.