Preconceito Linguístico

Enviada em 21/08/2020

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância além dos mesmos direito, inclusive à fala. Por conseguinte, tal premissa é imprescindível para estabelecer a comunicação em âmbitos sociais. Entretanto, os frequentes casos de preconceito linguístico demonstra que tal teoria não é experimentada na prática. Nesse contexto, cabe analisar o comportamento social e negligência governamental são os principais causadores da persistência desse problema.

No que concerne à problemática, é notório que há intolerância, por parte dos cidadãos brasileiros, no que diz respeito as variações linguísticas. Nesse viés, consoante ao pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, as sociedades contemporâneas são pautadas na efemeridade, na individualidade e no imediatismo. De maneira análoga, tal teoria aplica-se à realidade brasileira, tendo em vista o comportamento fútil das pessoas, ao analisar o frequente preconceito com as diferentes identidades da língua, que são desenvolvidas em relação à grande territorialidade do país, no qual cada região tem seu caráter identitário. Como consequência, surge uma individualização regional, menosprezando os demais territórios.

Outrossim, o descaso governamental em minimizar tal comportamento é um fator que agrava a situação em questão. No que tange o ponto de vista apresentado, consoante ao pensamento do contratualista Thomas Hobbes, cada cidadão abre mão de parte da sua liberdade e delega funções ao Estado, que são exercidas por meio de um contrato social -leis-, a fim de atingir o bem-estar comum. Em analogia, tem-se pouca representatividade política no Congresso Nacional, no que diz respeito à falta de intervenções públicas voltadas para a garantia do direito à dignidade e à fala, tendo em vista os conflitos gerados pela intolerância a diferentes sotaques. Com efeito, é característico desse problema a intensificação da xenofobia.

Urge, portanto, medidas para viabilizar tal problema em questão. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Poder Público, promover a aceitação popular da variedade linguística. Isso será feito por meio de investimentos em projetos e campanhas, as quais demonstrarão que não há uma padronização da linguagem oral da língua, o que torna comum o surgimento de diferentes identidades regionais. Dentro dessa conjuntura, tais ações visam promover uma sociedade livre de preconceito, tal como é demonstrada por Tomás de Aquino.