Preconceito Linguístico

Enviada em 23/08/2020

Preconceito linguístico é toda ação discriminatória contra a forma como alguém se expressa, o que acarreta exclusão social no âmbito da cultura. Esse impasse é manifestado na “Turma da Mônica” , na qual o personagem Cebolinha tem a patologia dislalia, caracterizada pela dificuldade na pronúncia do “r”, o que gera humor para parte da população e evidencia a sua naturalização. Por assim ser, é importante analisar a historicidade dessa problemática no contexto brasileiro, bem como a valorização da variante normativa da língua nacional.

A princípio, as Grandes Navegações, no século XXI, proporcionaram o contato entre os habitantes do país pioneiro nesse fenômeno, Portugal, com os povos indígenas, os quais tiveram sua cultura inferiorizada, o que demonstra uma visão eurocêntrica. Para ilustrar, Pero Magalhães, escritor quinhentista, afirmou que esses indivíduos encontrados não apresentavam em sua língua “l”, “f”, como também “r”, concluindo que eles não usufruíam da lei, da fé, além de rei, o que evidencia o desprezo pelos idiomas nativos, como o Tupi. Dessa forma, a Família Real, ao vir para o Brasil em 1808, impôs a Língua Portuguesa, o que é refletido no artigo 13 da Constituição Cidadã, o qual a declara oficial do país, o que comprova que o processo colonizador não foi contentado com a extração de recursos naturais, destarte, acarretou uma repressão cultural.

Outrossim, a matéria Níveis da Linguagem apresenta variantes da língua nacional, como a formal ou culta, ou seja, conforme a gramática, todavia, essa última denominação não é mais utilizada por essa área, pois ela despreza as outras vertentes. Ademais, há o colonial, presente no cotidiano, o qual não considera tanto essas regras, ainda, existem o jargão, a gíria e o regionalismo, entretanto, o Português não hierarquiza essas classificações. Ao contrário, ele afirma que a utilização desses pode ser adequado ou não para o contexto, por exemplo, é apropriado que os indivíduos, em uma ambiente acadêmico, valham-se da variante formal, uma vez que é impessoal. Apesar disso, uma cultura que avalia a forma de expressar como “errada” ou “certa” é manifestada, o que contrária o objetivo do código de comunicação, a compreensão entre os falantes com ou sem desvios gramaticais.

Portanto, o preconceito linguístico, no Brasil, deve ser subtraído, considerando a historicidade dessa problemática, bem como a valorização da variante normativa do idioma Português. Assim, cabe ao Ministério da Educação, coordenado  por Milton Ribeiro, promover a identificação da importância dos Níveis da Linguagem nas escolas, isso ocorrerá por meio da criação de um grêmio estudantil, o qual em em reuniões, demonstre a relação entre o uso dessas variantes com a cultura, o que objetiva amenizar esse preconceito, antes que mais pessoas sejam discriminadas, como Cebolinha,