Preconceito Linguístico

Enviada em 26/08/2020

No desenho “Turma da Mônica”, o personagem Cebolinha sofre bullying, devido o mesmo trocar a letra “R” pelo “L”. Nesse contexto, é notório que essa realidade não é exclusiva das telas e revistas, uma vez que o preconceito linguístico está presente na contemporaneidade. Dessa forma, tal problemática decorre tanto do sentimento de superioridade por certas parcelas da sociedade, quanto da ausência de auxílio governamental para combater a problemática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados para que uma sociedade íntegra seja alcançada.

Primordialmente, é necessário pontuar que a sociedade é o principal causador do problema. De acordo com Hanna Arendt, em sua perspectiva de banalidade do mal, tal comportamento passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação. Partindo desse pressuposto, é perceptível que indivíduos que falam diferente do habitual são muitas vezes alvos de piadas enraizadas pelo humor sátiro visto nas telas, uma vez que indivíduos que falam de maneira não cotidiana são muito vezes alvos de piadas de humoristas, muitos indivíduos acabam se espelhando em tais atos, contribuindo para o aumento do preconceito linguístico no Brasil. Nessa conjuntura, indivíduos que falam com sotaque também acabam que por sofrer ataques, e muitas vezes ocorre uma certa visão linguística superior pela parte sul dos país.

Outrossim, a ausência de auxílio governamental é o principal causador do problema. Consoante Rousseau, na medida em que o Estado isenta-se de garantir os direitos dos cidadãos, há uma quebra do contrato social elaborado junto à sociedade. Tal personalização denota, a insuficiência do aparato institucional no atendimento às demandas da sociedade contribui para o aumento do preconceito linguístico. Dessa maneira, o Estado contribui para o problema não ensinando nas escolas e instituições a diversidade linguística e mostrar a frequente mudança que o português passa.

Dessartee, medidas são necessárias para resolver a problemática. Desse modo, para que o preconceito linguístico não seja mais um problema no Brasil, urge que o Governo Federal em parceria com o MEC realize, por meio de verbas governamentais, eventos plurissignificativos tais como campanhas midiáticas, oficinas educacionais, palestras e debates nas escolas, a fim de atingir todas as parcelas da sociedade para a diminuição de tais práticas. Simultaneamente, o MEC deve incluir na grade o ensino sobre a diversificação da fala brasileira, para que a população aprenda mais a pensar sobre tais medidas negativas a prática do bullying linguístico. Nessa espectro, problemas como o do personagem não seria mais presente no Brasil.