Preconceito Linguístico
Enviada em 31/08/2020
Na mitologia grega, Procusto era um ladrão que sequestrava os viajantes e os colocava em uma cama de ferro, se fossem grandes, cortava-se os membros que passava da cama e se fossem pequenos, fazia o processo de estiramento. Analogamente ao mito, a população brasileira coloca seu próprio povo em uma cama de ferro e julga se essas pessoas estão dentro dos padrões linguísticos, caso não estiverem tentam mudá-las ou marginalizá-las levando o país ao declínio perante o progresso. Diante do exposto, não há dúvidas de que o combate ao preconceito linguístico no Brasil é um desafio, o qual tem gênese na má efetivação da educação brasileira, o que gera graves consequências.
Evidentemente, no Brasil, o preconceito linguístico tem sido cada vez mais preocupante, pois tem causado um grande transtorno na sociedade por causa da má efetivação da educação referente a língua portuguesa, a qual deve abranger todas variações do idioma nativo e não apenas uma, como se fosse a correta. Nesse sentido, o linguista Marcos Bagno afirma “a língua é um rio que se renova, enquanto a gramática é como a água do Igapó, que envelhece não gera vida nova a não ser que venham inundações”, ou seja, a linguagem sempre muda e tem suas diferenças, mas, tristemente, a nação não enxerga isso e seu pensamento vai de encontro com o do autor.
Em consequência disso, infelizmente, esse comportamento gera graves imbróglios, como o preconceito enraizado nos estudantes desde os primórdios de sua educação, visto que isso torna um país repleto de intolerantes que não aceitam diferenças, pois não têm conhecimento de culturas que não estão inseridas em sua bolha social. Referente a isso, o filósofo Voltaire diz “preconceito é opinião sem conhecimento”, lamentavelmente, na hipótese dessa realidade continuar a persistir sempre haverá um Procusto habitando o coração de cada cidadão verde-amarelo.
Portanto, medidas são necessárias para combater o preconceito linguístico no Brasil. Cabe, ao Ministério da Educação e cultura - órgão responsável de formular e avaliar a política nacional de educação - promover campanhas que falam sobre variações linguísticas, por meio de palestras em escolas com profissionais especializados nessa área, afim de desconstruir esse mal estruturado na grande pátria amada. Somente assim, não haverão mais Procustos no Brasil.