Preconceito Linguístico
Enviada em 05/09/2020
No texto “A colonização pronominal”, o professor Marcos Bagno aborda uma temática responsável por gerar divergências extensas entre gramáticos e professores no Brasil: o preconceito linguístico. A recorrência de tal questão vem sendo observada no país por um longo tempo, e tem como fontes diversos aspectos sociais brasileiros. Embora seja uma marca quase inerente ao cotidiano nacional, o preconceito linguístico, conforme depreende-se do termo em si, gera consequências favoráveis à exclusão social, e deve ser, portanto, combatido por profissionais da educação brasileiros.
Primeiramente, de acordo com a visão do professor Marcos Bagno expressa no texto “A colonização pronominal”, a população brasileira tende a desvalorizar a vertente nacional da língua em decorrência da supervalorização dos costumes portugueses quanto à fala e à escrita. Desse modo, torna-se evidente a resistente conexão que o Brasil mantém com seu passado colonial, fator que, segundo Marcos Bagno, relaciona-se intrinsecamente ao preconceito linguístico. A abordagem realizada pelo professor permite concluir que a superestimação dos hábitos linguísticos de Portugal acarreta na crença de que a vertente do país europeu é a forma gramatical mais polida, a que demonstra melhor domínio linguístico, maior nível de educação. Assim, os dialetos brasileiros, de igual importância na construção da identidade nacional, são rebaixados a incoerências no uso do idioma.
Nesse mesmo sentido, a permanência do preconceito linguístico está fortemente ligada à elitização da sociedade brasileira. Posto que, desde os primeiros momentos após a proclamação da República, houve no país a concentração dos poderes social e econômico em uma pequena elite, o Brasil tem enraizado em seu território o reconhecimento de um grupo privilegiado, cuja cultura erudita é tida como o exemplo a ser seguido pelo restante da população. Sob essa perspectiva, é possível traçar um paralelo entre a elitização cultural brasileira e o uso da gramática, visto que o dialeto adotado por camadas populares menos elevadas é desvalorizado enquanto manifestação da língua portuguesa, e é equivocadamente tido por muitos gramáticos brasileiros como desvios a serem corrigidos.
Portanto, é necessário que o posicionamento de centros educacionais brasileiros referente ao ensino da língua portuguesa tenha um viés inclusivo. Cabe aos profissionais de educação buscar abordagens que não limitem o aprendizado do idioma à norma gramatical, o que pode ser realizado por meio de atividades didáticas que esclareçam em que consiste o preconceito linguístico, suas causas e o quão essencial é o combate a esse complexo, a fim de evitar a continuidade da desvalorização da linguagem realmente utilizada pela população brasileira. Assim, será possível romper a exclusão linguística que perdura há tanto tempo no país.